Valor >> Ilan: Copom segue entre corte de 1 ponto e redução moderada da Selic

RIO  –  O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, reafirmou que as opções para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de julho seguem sendo entre um novo corte de juros de um ponto percentual ou fazer uma redução moderada nesse ritmo de baixa.

“A dúvida não é se os juros vão baixar”, disse Ilan, em entrevista ao Programa Miriam Leitão, da GloboNews, que foi ao ar na noite desta quinta-feira. “É a calibragem.”

Os juros básicos da economia estão em 10,25% ao ano, e em três semanas o BC decide qual será o próximo movimento nesse ciclo de distensão que já acumula queda de quatro pontos percentuais.

Ilan disse que, para tomar a decisão, o Copom olha de um lado os prognósticos para o andamento das reformas econômicas e, de outro, os dados sobre a inflação e a atividade econômica.

Questionado se o choque político causado pela delação dos irmãos Batista, da JBS, era inflacionário ou desinflacionário, Ilan disse que é provável que esses dois efeitos se anulem.

Na ata do Copom de maio, o BC disse que o choque político poderia ser inflacionário porque afetou preços de ativos, como o dólar, e levou a maior incerteza sobre a aprovação das reformas. Por outro lado, a crise poderia ter impactos sobre a atividade, provocando queda mais acelerada da inflação.

“A atividade econômica está de acordo com o cenário pensado antes”, disse o presidente do BC, destacando que dados recentes da produção industrial e do emprego confirmam o prognóstico de estabilização e retomada gradual da economia.

Segundo ele, a perspectiva é que no quarto trimestre a economia esteja crescendo a uma taxa maior do que 2% em relação ao mesmo período de 2016.

Questionado se os juros não estariam muito altos, diante da profundidade da recessão, o presidente do BC disse que as taxas reais pelo critério ex-ante estão em torno de 4,2%, percentual baixo para os padrões históricos.

“Se pudermos aproveitar e ir mais além, estamos todos nesse barco”, disse Ilan. “Mas a queda tem que ser sustentável. Tem que vir para ficar.”

“Com cuidado, estamos conseguindo ter uma inflação mais baixa, não só agora, mas por muitos anos”, disse.

O presidente do BC voltou a atribuir os altos juros bancários vigentes no Brasil a questões estruturais que aumentam os custos do sistema financeiro.

“As perdas dos bancos na arena trabalhista são quatro vezes maiores do que no resto do mundo”, disse, referindo-se aos custos das instituições financeiras com ações na Justiça do Trabalho. “A recuperação de crédito inadimplente nos outros países é de 80%, aqui é de 20%.”

Segundo ele, o BC também está trabalhando em uma agenda para ampliar a concorrência no sistema bancário, incluindo a segmentação das instituições por porte para aliviar as exigências burocráticas para as mais simples, como as cooperativas de crédito.

Ilan defendeu, ainda, o poder da política monetária para baixar a inflação, quando questionado sobre as ideias levantadas pelo economista André Lara Resende sobre a falta de eficácia desse instrumento para baixar a inflação.

“O debate tem que ser feito com dados, não só com especulações”, disse o presidente do BC.

Segundo ele, o Brasil teve uma experiência de juros muito baixos que levou a inflação a acelerar, chegando a quase 11% em 2016. O aperto monetário mais recente, por outro lado, teria cumprido a sua tarefa de conter a alta de preços na economia.

Fonte Oficial: http://www.valor.com.br/financas/5029870/ilan-copom-segue-entre-corte-de-1-ponto-e-reducao-moderada-da-selic.

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