Valor >> FMI prevê crescimento moderado do PIB brasileiro

WASHINGTON  –  A baixa demanda interna e os riscos políticos fizeram o Fundo Monetário Internacional (FMI) concluir que a recuperação da economia brasileira será moderada. A instituição entende que o país está saindo da recessão e apontou o crescimento do PIB no primeiro trimestre do ano como razão para tanto. Por outro lado, o ritmo do crescimento do PIB tende a não se intensificar fortemente no ano que vem por causas desses fatores.

O FMI elevou a previsão para a economia brasileira para 2017, passando de 0,2%, em abril, para 0,3%, no relatório “Panorama da Economia Mundial” (WEO, na sigla em inglês), divulgado na noite desse domingo. Já os prognósticos para 2018 foram rebaixados de 1,7%, em abril, para 1,3%, ontem. Essa queda de 0,4 ponto percentual se deve à baixa demanda e à crise política no país, que não dá segurança sobre a aprovação das reformas.

“Na comparação com o relatório de abril, a previsão de crescimento para 2017 está, agora, mais alta graças ao forte primeiro trimestre”, diz o FMI. “Mas os sinais de fraqueza na demanda doméstica continuam e o aumento de incerteza política que o país enfrenta deverá refletir num ritmo de recuperação mais moderada e, portanto, numa projeção mais baixa de crescimento para 2018.”

O Fundo estimou que a recuperação no Brasil, mesmo em níveis baixos será importante para retirar também a América Latina de um cenário de PIB negativo. A perspectiva da instituição é de um crescimento econômico de 1% na região para este ano, após uma queda de 1%, em 2016. Para 2018, os prognósticos são de um PIB regional de 1.9%. “Após a contração, em 2016, a atividade econômica na América Latina está projetada para se recuperar gradualmente em 2017 e em 2018 na medida em que alguns países, incluindo a Argentina e o Brasil, saem de suas recessões”, diz o WEO.

A previsão do México foi revista para cima, saindo de 1,7%, em abril, para 1,9%, no relatório de domingo. Basicamente, são duas as razões para essa elevação: a forte atividade da economia no primeiro trimestre e a constatação de que as medidas restritivas ao comércio que foram anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no começo do ano, como a revisão do Nafta, não são de fácil realização e, portanto, não devem ser implementadas de imediato. O FMI alertou ainda para a deterioração contínua das condições econômicas na Venezuela.

No bloco dos países emergentes, o Brasil aparece no relatório não apenas entre os países em recuperação econômica, mas também entre aqueles que vivem um processo de baixa inflação. “O resultado do crescimento no primeiro trimestre de 2017 foi mais alto do que o previsto no relatório de abril nos maiores países emergentes, como o Brasil, a China e o México”, diz o Fundo. “A inflação se estabilizou em muitas economias e recuou bastante no Brasil e na Rússia.”

O FMI recomendou aos países que adotem medidas de política fiscal direcionadas a apoiar as reformas para expandir o potencial de oferta da economia. “Países com necessidade de consolidação fiscal devem adotar medidas favoráveis ao crescimento”, sugeriu o Fundo. Ainda de acordo com a instituição, as economias de países emergentes devem continuar a usar as taxas de câmbio para amortecer os choques, quando for possível.

Entre os riscos aos emergentes, o FMI advertiu para um eventual aperto monetário nos Estados Unidos em ritmo mais rápido do que o esperado, o que poderia se refletir em alterações nos fluxos de capitais, resultando em menores entradas de investimentos aos emergentes, e depreciação cambial. Uma eventual guinada protecionista nas economias avançadas também poderia aumentar as pressões para a saída de capital dos mercados emergentes. Por outro lado, o FMI ressaltou que o Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos, aumentou as taxas de juros em junho, mas os mercados ainda esperam um ritmo bastante gradual na normalização da política monetária americana.

Fonte Oficial: http://www.valor.com.br/internacional/5050040/fmi-preve-crescimento-moderado-do-pib-brasileiro.

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