Valor >> Análise: O que esperar da reunião do Fed

SÃO PAULO  –  Não há entre analistas uma única voz que espere alguma mudança nos rumos da política monetária americana na reunião do Federal Reserve (Fed, banco central americano) que termina hoje. Mas isso não quer dizer que sinais não possam aparecer, principalmente em relação ao que ainda preocupa: a baixa inflação.

Desde março, quando a meta da taxa de juros foi elevada para o intervalo de 1,0% a 1,25%, o cenário para os preços só enfraqueceu. Não à toa, já há um conjunto de economistas que acha ser provável que o BC americano só volte ao ciclo de aperto no ano que vem, após a troca da presidência do Fed, que acontecerá em fevereiro com a saída de Janet Yellen.

O núcleo do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu em média 0,2% ao mês até fevereiro; de março para cá a variação mensal foi zero. Já o núcleo do PCE, medida de inflação preferida do Fed, recuou a 0,1% em maio – ou 1,4% na base anual – o menor nível desde dezembro de 2015, lembrando que a meta é de 2,0%. Do lado dos salários, a média por hora trabalhada subiu apenas 0,1% ao mês neste ano.

Esse quadro reforça a expectativa de que tudo o que o Fed não terá ao longo do segundo semestre é pressa. Janet Yellen, em seu último testemunho ao Congresso dos Estados Unidos, fez uma reavaliação do cenário de fraqueza da inflação, reconhecendo haver mais incertezas sobre as projeções de alta de preços. Porém, a comandante do banco central dos EUA reafirmou ver a desaceleração como transitória e ressaltou que a inflação deve voltar para o rumo em direção à meta de 2% ao ano do Fed “até que fatores temporários desapareçam”. Yellen reiterou que a autoridade está observando “de perto e cuidadosamente” a inflação e que isso terá papel nas futuras decisões de política monetária. Ademais, refutou a possibilidade de a meta de inflação ser elevada, dizendo que não há debates sobre este tema.

A sutil mudança de tom, mais inclinado para a cautela e, talvez, menos confiança na reação dos preços, advoga por uma pausa nos planos de normalização dos juros. Faz sentido pelo risco supostamente maior de se abortar a recuperação da atividade do que o de levar os preços dos ativos a uma alta exuberante, que redundasse em uma “bolha”. Não que isso esteja fora do radar das autoridades e do mercado financeiro, ao contrário. Várias menções a esse perigo foram feitas por dirigentes do Fed nos últimos meses; a monitoração é certamente criteriosa por parte do banco central, mas não há, por ora, sinais de maior preocupação.

Quanto ao balanço patrimonial do Fed, sua redução do montante de US$ 4,5 trilhões deve começar ainda neste ano. Como não haverá entrevista com Yellen, dificilmente haverá alguma novidade nesta reunião sobre este tema. Analistas esperam que em setembro ou dezembro o plano seja colocado em prática, já que os detalhes já foram explicitados em junho. Sabemos que os reinvestimentos dos Treasuries vincendos serão reduzidos lentamente, de forma a não impactar o mercado de bônus. A experiência passada contribui para a expectativa de que desta vez não haverá maiores solavancos nos mercados com o estreitamento da liquidez. Daí a opção por sinalizar ao máximo e fazer tudo muito devagar.

Fonte Oficial: http://www.valor.com.br/financas/5054222/analise-o-que-esperar-da-reuniao-do-fed.

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