Valor >> Há expectativa de queda adicional da Selic, aponta Ilan

SÃO PAULO  –  (Atualizada às 14h21) Há expectativa de quedas “adicionais” da taxa Selic, disse nesta sexta-feira o presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, segundo o qual o processo de convergência da inflação para a meta de 4,5% no horizonte relevante para a condução da política monetária é “compatível” com o processo de flexibilização monetária – que inclui 2018.

Para o presidente do BC, esse processo tem levado as taxas reais de juros a valores “próximos” de mínimas históricas. Ilan disse que, “nos últimos anos”, o juro real tem estado, em média, em 5% ao ano e que agora se encontra “próximo” de 3,5%, patamar que tende a estimular a economia.

Ilan reforçou a importância de continuidade dos esforços para reduzir a taxa estrutural de juros da economia. “Nesse sentido, a aprovação e a implementação das reformas, notadamente as de natureza fiscal e creditícia, e de ajustes na economia brasileira que garantam o equilíbrio das contas públicas, são fundamentais para a sustentabilidade da desinflação e para a garantia de um ambiente estável que estimule o crescimento econômico.”

Em evento em São Paulo, o presidente do BC vê como “limitado” o impacto da queda de confiança sobre a atividade econômica doméstica e atribui isso, em parte, às condições de liquidez e de capitalização do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Apesar da turbulência nesta semana, Ilan considera que o cenário externo “tem contribuído, até o momento”, para a manutenção do apetite por risco de ativos emergentes, uma vez que a economia global tem se recuperado “gradualmente”, sem pressionar condições financeiras nas economias desenvolvidas. O líder do BC disse ter visto arrefecimento de “possíveis mudanças” de política econômica em países centrais, o que, se ocorresse, teria reflexos sobre mercados emergentes.

TLP

Ilan destacou a importância da criação da Taxa de Longo Prazo (TLP) no sentido de ajudar na queda do juro estrutural da economia e melhorar a potência da política monetária. Ele disse que a nova taxa atrela o “funding” do BNDES às taxas de mercado. “Com redução de subsídios, teremos dívida menor, e a taxa estrutural da economia será menor.”

Ilan afirmou que o BC tem simplificado e modernizado seus instrumentos de captação e feito “limpeza” dos compulsórios. Disse ainda que as taxas mensais de crédito rotativo têm caído. “Vamos continuar trabalhando para reduzir as taxas no Brasil. Acompanhando a Selic, as taxas bancárias caíram”, afirmou no XII Seminário Anual sobre Riscos, Estabilidade Financeira e Economia Bancária.

Ilan sustentou ainda que a recessão ficou para trás. “A perspectiva é de recuperação gradual ao longo dos próximos meses. Teremos evidência melhor disso à medida que o ritmo vai se desenhando nos próximos meses.”  Afirmou que o sistema financeiro teve “resiliência” durante o estresse “real” pelo qual passou, diante da queda de margens dos lucros devido ao aumento do provisionamento e da inadimplência.

Segundo ele, a resiliência foi fruto também da atitude “prudente” das instituições financeiras, além da própria supervisão do BC.

Ilan acrescentou ainda que o sistema financeiro está “pronto” para atender à demanda por crédito quando a retomada ficar mais clara. “Há liquidez”, disse.

Fonte Oficial: http://www.valor.com.br/financas/5076600/ha-expectativa-de-queda-adicional-da-selic-aponta-ilan.

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