Valor >> Sem reformas no curto prazo, Brasil pode ter rating rebaixado, diz S&P

SÃO PAULO  –  A diretora-gerente para ratings soberanos da Standard & Poor’s, Lisa Schineller, afirmou em teleconferência com jornalistas que a agência retirou a nota do Brasil de observação negativa porque sentiu que o governo ainda tem capital político para avançar com as reformas, notadamente as mudanças na Previdência e a substituição da TJLP.

Ainda assim, ela deixou claro que mudanças precisam acontecer no curto prazo. Lisa lembrou que, geralmente, uma perspectiva negativa significa que uma revisão no rating pode acontecer nos próximos seis meses a dois anos. No caso atual do Brasil, no entanto, a S&P destacou um período menor, de seis a nove meses, “porque essa é a janela para o Congresso avançar com legislações importantes, já que o tempo é limitado pela dinâmica das eleições de 2018”.

Lisa disse que a S&P vê um compromisso forte do governo com a consolidação fiscal e salientou que a revisão nas metas se deu por conta da decepção com a arrecadação, não porque o Executivo está gastando mais. “Se sentirmos que há um relaxamento no compromisso do governo com a questão fiscal, se houver inabilidade ou falta de disposição do Congresso de avançar com legislações que aliviem a rigidez dos gastos, o rating pode ser rebaixado”, enfatizou.

A analista explicou que não espera uma aprovação integral das reformas, da maneira como elas foram propostas pelo Executivo, mas diz ainda ver um “ímpeto” do governo em avançar com essas medidas, o que é importante.

Corrupção

Lisa Schineller afirmou que um dos motivos para a agência ter tirado a nota do Brasil de observação negativa ontem foi que a situação se desenrolou melhor do que o esperado após as denúncias de corrupção contra o presidente Michel Temer, em meados de maio.

“Nesse meio tempo, não vimos um impacto na economia que pensávamos, em maio, que poderia ocorrer. A estabilização da economia se firmou e Temer conseguiu passar pelo julgamento no TSE e pela votação no Congresso”, comentou.

A S&P colocou o Brasil em observação negativa apenas dois dias após a delação do sócio da JBS, Joesley Batista, contra Temer.

Ela lembrou que a observação precisa ser avaliada em três meses, enquanto a perspectiva negativa tem um prazo, geralmente, de seis meses a dois anos.

Fonte Oficial: http://www.valor.com.br/financas/5082486/sem-reformas-no-curto-prazo-brasil-pode-ter-rating-rebaixado-diz-sp.

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