Valor >> Ajudado por Maia, Fufuca tenta consenso para emplacar reforma política

BRASÍLIA  –  Com a viagem do presidente Michel Temer à China, o segundo vice-presidente da Câmara, deputado André Fufuca (PP-MA) assumirá o comando da Casa, enquanto o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), estará interinamente na presidência da República.

Em sua passagem pela principal cadeira da Câmara, Fufuca pretende, com a ajuda de Maia, construir consenso para emplacar a reforma política no plenário. O Congresso corre contra o tempo para aprovar os projetos relacionados ao tema até 7 de outubro, com o objetivo de garantir que as mudanças aprovadas já estejam vigentes nas eleições de 2018.

Na manhã desta segunda-feira, Temer, Maia e Fufuca se reuniram no Palácio do Planalto para discutir as prioridades da agenda de votação desta semana. Ao Valor, o segundo vice-presidente da Casa afirmou que o objetivo é concluir a análise dos destaques da Medida Provisória que cria a Taxa de Longo Prazo (TLP), nova taxa de juros para empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

“O plano é votar os destaques da TLP amanhã, o MP do Refis na quarta-feira e colocar, se houver consenso, a reforma política para ser votada a partir de quarta-feira. Vamos ver o consenso que conseguimos construir”, disse Fufuca.

De acordo com ele, a proposta de emenda constitucional (PEC) 282/2016, que propõe o fim das coligações partidárias e o estabelecimento da cláusula de desempenho, relatada pela deputada Shéridan (PSDB-RR), é a que tem mais aceitação no plenário e deve ser votada antes das propostas do deputado Vicente Cândido (PT-SP), que sugere a adesão ao “distritão” como sistema eleitoral em 2018 e a criação de um fundo público para financiar campanhas.

“O projeto de Vicente está mais distante um acordo para votar. Há um mês atrás era mais fácil. Na quinta-feira, já sentimos dificuldades. Pode ser que nesse final de semana, a coisa tenha melhorado ou piorado. Aqui é muito instável”, avaliou o segundo vice-presidente da Câmara.

O parlamentar do PP afirmou que colocará a medida provisória do Refis, que estabelece um programa de parcelamento de débitos tributários, se governo e parlamentares chegarem a um acordo sobre o texto. “É preciso chegar em um consenso no texto principal. É complicado, porque é muito destoante o que o governo quer do que o relator propôs. Vamos tentar chegar a um denominador comum nisso aí. Acho que dá para chegar”.

Fufuca disse ainda que acompanhará de perto a votação da nova meta fiscal, que deve ser aprovada na Comissão Mista de Orçamento nesta terça-feira, antes de ser analisada pelo Congresso.

Segundo o deputado do PP, ele está preparado para conduzir as sessões em meio à obstrução dos parlamentares da oposição e disse que “se tiver que ficar até 2, 3 da manhã para conseguir votar, ficará”.

Caso consiga concluir o plano de votação que estabeleceu com Temer e Maia até o final desta semana, Fufuca pretende colocar em votação na próxima semana projetos de consenso, como os que preveem a diminuição de preços de remédios e de planos de saúde.

Questionado sobre o que fará se o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhar uma nova denúncia contra Temer enquanto estiver no comando da Câmara, Fufuca afirmou que respeitará o regimento. “Respeito o regimento. O que estiver no regimento, eu vou respeitar. Eu não vou segurar nada nem fazer qualquer tipo de bloqueio sobre isso. Não me chegaram pedidos sobre isso. Encaminharei [à CCJ]. Não quero criar problemas para ninguém”.

Na manhã desta terça-feira, Maia e Fufuca devem participar juntos das reuniões da Mesa da Câmara e dos líderes da Casa. O encontro acontecerá no gabinete da presidência da Câmara.

Fonte Oficial: http://www.valor.com.br/politica/5098184/ajudado-por-maia-fufuca-tenta-consenso-para-emplacar-reforma-politica.

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