Valor >> Tensão com míssil da Coreia do Norte afeta mercados globais

O agravamento das tensões geopolíticas gerado pelo lançamento de um míssil pela Coreia do Norte pressiona os mercados financeiros globais. As bolsas de valores da Europa seguem as quedas na Ásia, e ativos mais seguros, como o ouro, sobem. Até o preço da gasolina caiu, apesar do golpe na produção representado pelos danos que a tempestade Harvey tem provocado no Golfo do México – uma das maiores regiões petrolíferas dos Estados Unidos. 

De Londres a Sydney, as ações recuaram e a volatilidade aumentou, em movimento clássico de aversão a risco. Londres cai 1% e Frankfurt declina 1,7%. As cotações nos mercados futuros dos EUA também estão em baixa. O ouro aumentou para o patamar máximo neste ano, enquanto o franco suíço e o iene se destacam entre as moedas com melhor desempenho. O preço da maioria dos títulos europeus e dos papéis do Tesouro americanos sobe, assim como o euro, que passou de US$ 1,20 pela primeira vez desde 2015. 

A Coreia do Norte disparou um míssil balístico sobre o Japão nas primeiras horas desta manhã. O artefato caiu no Oceano Pacífico, a cerca de 1,2 mil km a leste da ilha de Hokkaido, no norte do Japão, informou o chefe de gabinete, Yoshihide Suga, a repórteres. O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, ordenou uma demonstração de força em resposta, com quatro caças F-15K realizando exercicios de bombardeio.

Esse foi o primeiro projétil norte-coreano a voar sobre o espaço aéreo japonês desde que o regime lançou um foguete sobre Okinawa em 2016. A ação mina as incipientes esperanças de diálogo com a Coreia do Norte, bem quando as as tensões pareciam ter amainado após uma guerra de palavras entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong Un, no início deste mês.

Até o momento não houve nenhuma declaração da Casa Branca ou manifestação de Trump no Twitter.

A agência de notícias estatal da Coreia do Norte zombou de Trump em um comentário que não faz referência ao míssil. O texto chama o presidente dos EUA de “a fonte de dor de cabeça em casa e no exterior” e diz que suas políticas são “ou ignoradas ou atrasadas” e que ele foi desprezado por outros líderes ocidentais.

Após o lançamento do míssil, o Japão pediu ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para realizar uma reunião de emergência e disse que agora não era hora de dialogar. As forças armadas japonesas optaram por não não derrubar o artefato depois de avaliar que a rota não estava voltada para o seu território.

“Um míssil que passa sobre o Japão é uma ameaça grave, séria e sem precedentes”, disse o primeiro-ministro Shinzo Abe a jornalistas em Tóquio. Abe disse que falou com o presidente Donald Trump por 40 minutos e ambos concordaram em aumentar a pressão sobre a Coreia do Norte. Ele também pediu que a China e a Rússia agissem.

Com sanções de pouco impacto e o potencial catastrófico de qualquer ação militar, os EUA e seus aliados têm poucas opções boas para impedir que Kim desenvolva a capacidade de atingir a América do Norte com uma arma nuclear. O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, disse que “é óbvio para todos que a pressão das sanções é um recurso exaurido”.

A China pediu aos países envolvidos que parem de se provocar mutuamente, disse a porta-voz dos Negócios Estrangeiros, Hua Chunying, nesta terça-feira, em uma reunião regular em Pequim. “Os fatos provaram que a pressão e as sanções não podem resolver fundamentalmente o problema”, disse ela. “A única saída é através do diálogo e da consulta.”

Enquanto apoiou as sanções determinadas pela ONU no início deste mês – que bloquearam um terço das exportações da Coreia do Norte –  a China resistiu ao corte de alimentos e de combustível, que são vitais para a sobrevivência do regime de Kim. A China evita fazer qualquer coisa que possa levar ao colapso da Coreia do Norte, um cenário que poderia potencialmente desestabilizar sua economia e colocar as tropas dos EUA diretamente na sua fronteira.

Fonte Oficial: http://www.valor.com.br/internacional/5098728/tensao-com-missil-da-coreia-do-norte-afeta-mercados-globais.

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