Jornal do Comércio >> Acionistas podem determinar a saída dos irmãos Batista da JBS

Já tornada pública pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes), Paulo Rabello de Castro, a intenção de retirar os irmãos Joesley e Wesley Batista do comando da JBS pode ser concretizada nesta sexta-feira, em Assembleia Geral Extraordinária (AGE), que será realizada por solicitação do BndesPar, no dia 14 de agosto.

Nesta quinta-feira, a Justiça Federal de São Paulo concedeu liminar favorável ao BndesPar, braço de participações do Bndes, e à Caixa Econômica Federal para impedir que os controladores da JBS participem da assembleia. BndesPar e Caixa alegam que os controladores causaram danos ao grupo.

A J&F, holding que reúne os negócios da família Batista e é controladora da JBS, vai recorrer. Ou seja, tudo pode mudar ao longo do dia, mas o Bndes afirma que vai manter sua estratégia para a assembleia, afirmou a diretora da área de Mercado de Capitais do banco, Eliane Lustosa. Segundo ela, a decisão do colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de não se manifestar sobre o suposto impedimento de voto dos irmãos na reunião não muda a intenção de voto já tornada pública pela instituição de fomento.

Entre outros pontos, declarou que votará favoravelmente à promoção de ação de responsabilidade civil pela JBS contra o administrador Wesley, Joesley e os ex-administradores Florisvaldo Caetano de Oliveira e Francisco de Assis e Silva, por prejuízos causados ao seu patrimônio em razão dos atos ilícitos confessados no âmbito no acordo de leniência com Ministério Público Federal, bem como contratação de auditoria forense externa para quantificar os danos gerados e identificação de eventuais outros responsáveis.

Caso os acionistas aprovem a adoção de uma ação de responsabilidade, os atuais administradores eventualmente processados terão que se afastar do comando da companhia, hoje presidida por Wesley Batista. O BndesPar detém 21,3% do capital da JBS, Acionistas minoritários da JBS acreditam que a CVM foi omissa na decisão de não orientar os acionistas da companhia sobre a existência de conflito de interesse dos controladores Wesley e Joesley Batista em votarem na assembleia. No mercado, houve ainda aqueles que observaram “uma falta de convergência entre os entendimentos da área técnica e o colegiado”.

De acordo com Fernando Henrique Iglesias, especialista em pecuária pela consultoria Safras & Mercado, a expectativa do mercado é de que a assembleia culmine com a saída dos irmãos Batista do comando da companhia. A retirada é vista com bons olhos pelo mercado e, se realmente ocorrer, poderia valorizar os ativos da companhia. “Mas nada de significativo deve ocorrer em curto prazo”, diz Iglesias. Coordenador do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia (Nespro), Júlio Otávio Jardim Barcellos também concorda que a saída dos irmãos será positiva e que mudanças devem ocorrer apenas em médio e longo prazo. “A saída deles não terá impacto no preço do gado, mas seria um começo de retomada da credibilidade da JBS”, opina.

 

O novo CEO da BRF, que deve ocupar o cargo após a saída do atual presidente, Pedro Faria, em 31 de dezembro deste ano, deve ser um executivo de fora do quadro da empresa, afirmou nesta quinta-feira, o presidente do conselho da companhia, Abilio Diniz.

Faria permanece na BRF pelo menos até o fim do ano e deve trabalhar no processo de transição. “Não há nenhuma chance de novo CEO ser alguém da BRF. Vamos buscar uma pessoa de fora, não ligada a nenhum acionista”, disse.

A BRF informou que o conselho de administração aprovou o início do processo de sucessão do atual diretor presidente global da companhia. A BRF disse ainda que está em processo de recrutamento do novo CEO Global, cujo nome será anunciado oportunamente. “É uma decisão em conjunto que parte de certa forma do Pedro”, afirmou Diniz. O executivo insistiu que a saída é a marca de um novo ciclo para a BRF e que Faria poderá continuar na empresa, embora, ainda não saiba como.

O atual CEO seguiu o mesmo discurso e disse que sua saída é motivada pelo “encerramento de um ciclo”. Ele disse que há um convite para que ele possa voltar para Tarpon Investimentos, de onde veio antes de assumir a BRF. “Mas agora não tenho essa decisão feita. Pretendo me dedicar ao máximo à BRF para fazer essa transição”, disse.

Desde que ingressou na BRF, Pedro Faria fez parte do Conselho de Administração (2011-2013), foi CEO Internacional (2013-2015) e CEO Global (2015-2017). Neste período, a BRF consolidou sua expansão internacional. A gestão da Tarpon à frente da BRF, no entanto, vinha sendo questionada. A companhia atravessou momentos conturbados, com o registro do primeiro prejuízo da sua história na conclusão de 2016, além da Operação Carne Fraca, que abalou suas operações no Brasil.

Fonte Oficial: http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2017/08/economia/583270-acionistas-podem-determinar-a-saida-dos-irmaos-batista-da-jbs.html.

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