Valor >> Análise: Valorização do euro pode se tornar um problema para o BCE

SÃO PAULO  –  A expressiva valorização do euro em 2017 deve se tornar um problema para o Banco Central Europeu (BCE), que pretende anunciar em breve seu plano para começar a reduzir os estímulos à área do euro.

A moeda única subiu quase 13% neste ano até 31/08, contrariando o que estrategistas previam: um dólar mais forte na esteira da normalização dos juros pelo Federal Reserve (Fed). Para alguns analistas, no decorrer do ano as surpresas positivas no comportamento da economia europeia levaram os investidores a esperar “muito pouco” do Fed e “muito” do BCE, como diz o Bank of America Merril Lynch. Embora a recuperação americana siga em curso, a baixa inflação de certa forma tornou aquilo que parecia certo para o próprio BC americano, um ciclo de quatro altas das taxas neste ano, algo que se provou inviável. “O consenso é que o Fed se concentrará na baixa inflação e permanecerá em espera”, diz o BoFA.

Ao mesmo tempo, o BCE tomou a frente nas especulações de aperto monetário. A previsão é que seu programa de compras de ativos termine em dezembro e que a autoridade anuncie já na reunião da semana que vem ou no máximo em outubro como pretende fazer a redução de seu balanço, seja estendendo o volume por mais alguns meses, como defende os “doves” do BCE, ou reduzi-lo gradualmente, “de forma “rápida e ordenada”, como defende o presidente do Bundesbank, Jens Weidmann, o mais “hawk” entre os dirigentes dos BCs regionais na área do euro. Na sequência, viria a hora de se pensar num aumento dos juros.

Ao sinalizar esse esboço de plano em junho, Mario Draghi acabou por colocar mais pressão compradora na moeda. Consequentemente, vários integrantes do BCE vieram a público defender a tese de necessidade de ampla liquidez ainda e de preocupação com a alta da moeda. Hoje, fontes do BCE informaram a uma agência internacional de notícias (em off) que “a taxa de câmbio tornou-se um problema maior”, que argumenta pela cautela em quaisquer opções relacionadas à normalização da política monetária na zona do euro.

A alta do euro traduz-se em aperto das condições financeiras, um quase aperto monetário. No começo da semana sua cotação frente ao dólar rompeu o nível de US$ 1,20, o maior desde o início de 2015, antes de voltar para US$ 1,18. Este ano começou com a moeda única valendo US$ 1,05 e o mercado discutia a possibilidade de paridade frente ao dólar até dezembro.

Uma consideração levantada pelo mercado é que interessa menos ao BCE o nível da moeda do que o ritmo de sua mudança, a volatilidade. Draghi sabe como conduzir as expectativas no discurso, algo que pode voltar a acontecer na reunião do dia 7 de setembro, já que na ata da reunião de julho alguns membros do Conselho de Governadores já estavam preocupados com o risco de “overshooting” da taxa de câmbio.

As revisões para a projeção do euro ao fim deste ano estão sendo feitas. Em média, as opiniões se encaixam no intervalo de US$ 1,15 a US$ 1,18, mas há muita incerteza, além daquilo que o BCE pode fazer no curto prazo. Para citar algumas: 1) se as reformas do governo Trump avançarão no congresso americano; 2) se Janet Yellen permanecerá na presidência do Fed e quem a substituiria e 3) quais serão os novos capítulos do imbróglio geopolítico envolvendo a Coreia do Norte.

Fonte Oficial: http://www.valor.com.br/financas/5103608/analise-valorizacao-do-euro-pode-se-tornar-um-problema-para-o-bce.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!