Valor >> Texas: Instituições financeiras ficam mais flexíveis após furacão

WASHINGTON  –  Após o pior momento, quando a sobrevivência era a grande prioridade, vítimas do furacão Harvey começam a se preocupar com os prejuízos causados pelas enchentes e por sua situação bancária. Mas, ao menos momentaneamente, eles poderão ter um alívio: bancos que atuam no Texas estão se mostrando compreensíveis, anulando taxas e juros por atraso.

A maior parte da rede bancária da região atingida ainda continua fechada e só deve abrir após o feriado do Dia do Trabalho, comemorado na próxima segunda-feira (4) nos Estados Unidos. Algumas unidades, contudo, sequer podem precisar quando isso acontecerá. Além de agências que foram inundadas, há muitos casos em que seus funcionários foram atingidos pelo furacão e não têm condições de trabalhar. Assim, contas que venceram ou estão para vencer nestes dias poderão ser pagas no futuro, sem taxas extras, ou haverá o reembolso de clientes caso estes valores venham a ser cobrados.

Estas medidas flexíveis têm sido a tônica de grandes bancos americanos que atuam na região, como Bank of America, Citibank e Wells Fargo, assim como redes locais.

O Cadence Bancorp, que transferiu seu Call Center de Houston para o Alabama para, inclusive, informar os clientes de unidades de caixas eletrônicos que continuam funcionando na área atingida, está pedindo às autoridades locais que seja definida uma moratória oficial para as contas vencidas neste período na região, que pode se beneficiar dos fundos federais devido à declaração de catástrofe no Texas. Este tipo de medida também está sendo adotada por outras empresas, como companhias de TV a cabo, telefonia e serviços. Até mesmo companhias aéreas estão alterando bilhetes para as áreas atingidas sem custos aos clientes.

Por outro lado, produtos básicos, como água e gasolina, subiram de preço com a escassez na região. Um galão de água, por exemplo, é vendido por até US$ 8,50 (R$ 27), sendo que o preço normal é US 1,50 (R$ 5,70). Autoridades texanas registraram aumentos significativos de preços em mais de 600 produtos e serviços.

Um artigo na revista especializada “American Banker” informa que muitas das linhas de crédito dos clientes, como hipotecas, possuem cláusulas que garantem adiamentos de até 90 dias em casos de tragédias como esta e que muitos outros contratos possuem seguros para estes eventos, e que o grande trabalho dos bancos, neste momento, é orientar os clientes.

Analistas de crédito afirmam que, no curto prazo, os bancos muito expostos na região tendem a ter dificuldades de caixa e até sofrer um pouco de desvalorização na bolsa, mas que, no médio e longo prazos, tendem a ganhar com a reconstrução das cidades, motivada por recursos federais, seguros e doações.

O prejuízo total ainda está sendo calculado, mas o governo afirmou que vai rapidamente reconstruir a região. Além de ser uma área muito mais rica que a devastada há 12 anos pelo Katrina, o Texas pode se beneficiar das experiências vividas por New Orleans e, assim, evitar erros do passado.

A maior parte dos bancos do país já criou canais nos caixas eletrônicos para doações de seus clientes às vítimas do Harvey, ou farão isso a partir dos próximos dias. Praticamente todas as grandes instituições que atuam na região prometeram doações de recursos próprios, muitas na casa dos milhões de dólares.

Fonte Oficial: http://www.valor.com.br/internacional/5104346/texas-instituicoes-financeiras-ficam-mais-flexiveis-apos-furacao.

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