Valor >> Bancos não estarão prontos para a TLP em 1º de janeiro, diz Febraban

RIO E SÃO PAULO  –  Os bancos comerciais que atuam como agentes financeiros do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) correm risco de não conseguir contratar operações de crédito com clientes na Taxa de Longo Prazo (TLP), a partir de 1º de janeiro de 2018.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) enviou carta ao BNDES na qual afirma que as instituições financeiras que atuam como agentes do banco de fomento precisariam de seis meses para adaptar seus sistemas operacionais para funcionarem com a TLP, que passará a ser a nova taxa de referência dos empréstimos do banco em substituição à Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP).

Em entrevista ao Valor, o diretor financeiro do BNDES, Carlos Thadeu de Freitas, disse que o interesse do BNDES é que os bancos comerciais recebam a carta-circular da instituição de fomento, com as regras para operar com a TLP, “o mais rápido possível”, mas reconheceu que a divulgação dessas regras hoje ainda não é possível.

O BNDES precisa esperar, primeiro, que o Conselho Monetário Nacional (CMN) regulamente a TLP, o que pode acontecer no fim deste mês, quando o órgão se reúne. A TLP foi aprovada ontem pelo Senado e segue agora para sanção presidencial.

Thadeu reconheceu que há um problema operacional no que se refere ao uso da TLP nas operações indiretas, via agentes financeiros. “O BNDES está se preparando em termos de sistemas, processos e normas. Mas os bancos [comerciais] que têm que gastar [para se adaptar à TLP].”

A questão é que os agentes tinham um risco de investir em sistemas operacionais e a TLP não ser aprovada, o que finalmente aconteceu ontem.

Procurada, a Febraban não se manifestou. Mas o Valor apurou que os bancos têm interesse em colocar a TLP em operação e já pediram ao Banco Central e ao BNDES para apressarem a regulamentação da nova taxa que balizará os financiamentos do banco de desenvolvimento, segundo um interlocutor.

Outra demanda é que as normas sejam de fácil implementação justamente para evitar atrasos na área de sistemas, onde costumam se concentrar os gargalos na parte operacional das instituições, de acordo com esse interlocutor.

Felipe Calheiros, chefe do departamento de cobrança da área financeira do BNDES, disse que a Febraban pediu que o banco fizesse a carta-circular com as regras da TLP o mais rápido possível, assim que a legislação for sancionada. “Mas nós precisamos esperar o CMN.”

O BNDES já informou ao Ministério da Fazenda sobre a situação. Calheiros disse que o alerta da Febraban é que pode haver um “apagão” nas operações indiretas a partir de janeiro de 2018.

“Eles [os bancos] não poderão contratar operações em TLP porque não estarão com seus sistemas adaptados.”

O banco tem, no total, 100 agentes financeiros credenciados e as operações indiretas envolvem um grande número de transações com micro, pequenas e médias empresas.

As operações indiretas representam cerca de metade dos desembolsos do BNDES, que no acumulado de doze meses até julho somam R$ 79,9 bilhões, queda de 26% sobre os doze meses anteriores.

A estimativa do BNDES é que se a TLP for regulamentada pelo CMN no fim deste mês a carta-circular sobre a nova taxa aos agentes circule em meados de outubro.

Nesse cenário, com base no que a Febraban informou ao BNDES, os bancos não teriam como atuar nas operações indiretas pois precisariam de seis meses para se adequar, o que significa abril de 2018.

Calheiros disse não acreditar em uma interrupção total das operações indiretas, mas admitiu que poderia haver uma redução muito grande das contratações desse tipo de transação em um primeiro momento.

Fonte Oficial: http://www.valor.com.br/brasil/5110904/bancos-nao-estarao-prontos-para-tlp-em-1-de-janeiro-diz-febraban.

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