Valor >> Copom corta Selic em 1 ponto percentual para 8,25% ao ano

BRASÍLIA  –  (Atualizada às 18h25O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu nesta quarta-feira a taxa básica de juros, a Selic, em 1 ponto percentual, para 8,25% ao ano. A decisão foi unânime e veio em linha com o previsto pelo mercado. No comunicado, o colegiado presidido por Ilan Goldfajn sugere uma redução no ritmo de corte para 0,75 ponto percentual como o movimento mais provável no encontro de outubro.

“O Comitê entende que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural”, diz o Copom no comunicado. Essa frase se soma ao aceno já dado por Ilan e diretores de que a taxa atual já estimula a recuperação da economia.

O atual ciclo de baixa começou em outubro do ano passado, com Selic em 14,25% ao ano. Com o corte desta quarta-feira, a redução chega a 5 pontos percentuais e a Selic testa patamares não vistos desde julho de 2013.

Com a decisão desta quarta-feira, será acionada a regra do rendimento da poupança, que passa a ser de 70% da Selic. Desde agosto de 2013 a poupança vinha sendo remunerada pela “fórmula antiga”, de 0,5% ao mês mais TR.

O Copom ressaltou que as condições econômicas permitiram a manutenção do ritmo de flexibilização em 1 ponto percentual nesta reunião. Para a próxima reunião, em outubro, o colegiado do BC pondera que “caso o cenário básico evolua conforme esperado, e em razão do estágio do ciclo de flexibilização, o Comitê vê, neste momento, como adequada uma redução moderada na magnitude de flexibilização monetária”.

O Copom diz, ainda, que mantida essas mesmas condições, antevê encerramento gradual do ciclo. Tal sinalização deixa como desenho mais provável um corte de 0,75 ponto na reunião de outubro e um corte de meio ponto em dezembro, levando a Selic a 7% ao ano — patamar alinhado a grande parte das projeções de mercado.

Ainda assim, o Copom pondera que, apesar dessas perspectivas, o processo de corte de juros continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação.

O BC voltou a enfatizar que o processo de reformas, como as recentes aprovações de medidas na área creditícia — uma referência à Taxa de Longo Prazo (TLP) –, e de ajustes necessários na economia brasileira contribui para a queda da sua taxa de juros estrutural, que seria aquela que permite máximo crescimento com inflação na meta.

O BC fez uma atualização no seu balanço de riscos, apontando que a chance de ter inflação menor do que a projetada contrasta com a possibilidade de uma frustração com as reformas levar a um movimento nos preços de mercado com consequência sobre o comportamento futuro da inflação. O risco do quadro negativo se materializar se intensifica com uma possível reversão do cenário externo favorável para emergentes.

Essa possibilidade de queda ainda mais intensa da inflação decorre de dois fatores. O efeito secundário, isto é, sobre outros setores da economia, da retração dos preços de alimentos e industriais. E da possibilidade de que os mecanismos inerciais da economia brasileira propaguem a atual queda de preços para componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária. Esse risco é o exato contrário do visto nos últimos anos, quando a inflação alta se transmitia para períodos mais distantes por esses mesmos mecanismos inerciais, como reajustes de salários e contratos em bases anuais.

Na avaliação do cenário básico, o Copom nota que a atividade mostra sinais compatíveis com a recuperação gradual. Que a inflação permanece bastante favorável e que o cenário externo tem se mostrado favorável, contribuindo para manter o apetite ao risco em relação a economias emergentes.

Projeções

O Copom ainda atualizou as projeções de inflação do seu modelo considerando as trajetórias do boletim Focus para juros e câmbio. Com essa premissa, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerra 2017 em 3,3% e termina 2018 em aproximadamente 4,4%.

No comunicado e na ata da reunião de julho, as projeções estavam em 3,6% para 2017 e em 4,3% para 2018, considerando juro de 8% ao fim dos dois períodos e câmbio de R$ 3,30 para 2017 e R$ 3,43 em 2018.

Agora, as projeções foram feitas considerando Selic de 7,25% no fim de 2017, queda para 7% no começo de 2018 e ajuste para 7,5% no encerramento de 2018.

As novas projeções estão no comunicado da decisão da reunião desta quarta-feira, quando o Copom reduziu a Selic em 1 ponto percentual, a 8,25% ao ano.

O BC aponta, ainda, que as expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus subiram para em torno de 3,4% para 2017 e mantiveram-se em torno de 4,2% para 2018, 4,25% para 2019 e 4,00% para 2020.

Fonte Oficial: http://www.valor.com.br/financas/5110758/copom-corta-selic-em-1-ponto-percentual-para-825-ao-ano.

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