Valor >> Wesley Batista é preso pela PF em São Paulo

SÃO PAULO E RIO  –  (Atualizada às 14h04) O empresário Wesley Batista, dono da JBS junto com seu irmão Joesley, foi preso na manhã desta quarta-feira pela Polícia Federal (PF) em sua casa, em São Paulo. A prisão foi decretada por decisão da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo na investigação que apura se ele e Joesley lucraram com a venda de dólares no mercado futuro dias antes de assinarem acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Veja aqui a decisão judicial.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), os irmãos lucraram US$ 100 milhões com a operação com o uso de informações privilegiadas sobre seus acordos de delação.

Wesley ficará preso na sede da PF, na Lapa, na capital paulista e passará por audiência de custódia. Joesley, cuja prisão também foi decretada pela Justiça de São Paulo, já está detido temporariamente desde segunda-feira por ordem do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), por ter omitido informações de seu acordo de delação.

A prisão de Wesley foi cumprida durante a segunda fase da Operação Tendão de Aquiles e foi amparada em documentos e informações obtidas em buscas realizadas pela PF em maio na JBS e na FB Participações, empresa que concentra negócios dos irmãos Batista.

Ao ser detido, o empresário ligou para um de seus advogados, Antônio Carlos de Almeida Castro, o ‘Kakay’, que defende os irmãos Batista no procedimento que apura omissões nas delações premiadas de delatores do grupo J&F.

A advogada Fernanda Tórtima também é alvo dessa investigação de “insider trading” (informação privilegiada), segundo uma fonte ligada ao caso.

Além de fazer a prisão preventiva de Wesley, a PF também cumpre dois mandados de busca e apreensão na JBS S/A e na FB Participações S/A. 

Investigação

As prisões preventivas dos irmãos Batista foram decretadas no contexto da investigação que apura o uso indevido de informações privilegiadas em transações no mercado financeiro, ocorridas entre abril e 17 de maio de 2017, data da divulgação de informações sobre o acordo de colaboração premiada firmado por ambos os presos com a PGR.

A primeira fase dessa investigação aconteceu em 9 de junho, quando foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e quatro de condução coercitiva.

O inquérito apura dois eventos. O primeiro é a realização de ordens de venda de ações de emissão da JBS S/A na bolsa de valores, entre 24 de abril e 17 de maio, por sua controladora, a empresa FB Participações S/A e a compra dessas ações, em mercado, por parte da empresa JBS S/A. Para a PF, os Batista manipularam o mercado e fizeram com que seus acionistas absorvessem parte do prejuízo decorrente da baixa das ações que, de outra maneira, somente a FB Participações — empresa de capital fechado — teria sofrido sozinha.

O segundo evento investigado é a intensa compra de contratos de derivativos de dólares entre 28 de abril e 17 de maio por parte da JBS S/A, em desacordo com a movimentação usual da empresa, segundo a PF e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Tal fato gerou ganhos decorrentes da alta da moeda norte-americana após o dia 17, afirma o inquérito policial.

Após a deflagração da primeira fase da operação, com a cooperação da CVM, policiais federais analisaram documentos, ouviram pessoas e realizaram perícias, trazendo aos autos “elementos de prova que indicam o cometimento de crimes e apontam autoria aos dois dirigentes das mencionadas empresas”.

Segundo a PF, os investigados poderão ser responsabilizados pelo crime previsto no artigo 27-D da Lei 6.385/76, com penas de 1 a 5 anos de reclusão e multa de até três vezes o valor da vantagem ilícita obtida.

CVM

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informou que a segunda fase da operação, realizada nesta quarta-feira, não contou com participação direta da autarquia. “Embora essa fase da operação tenha contado apenas com a participação direta das unidades da Polícia Federal (PF), permanece a atuação conjunta com a CVM no âmbito da Operação Tendão de Aquiles, fruto do amplo e efetivo trabalho que vem sendo realizado entre as duas instituições”, afirmou em nota.

De acordo com a CVM, os procedimentos em curso na PF e na CVM têm natureza distinta, cabendo a autarquia , neste momento, “realizar análises e apurações no âmbito administrativo com escopo e nuances específicas a ele inerentes”.

Na CVM, os inquéritos administrativos instaurados para analisar estas operações seguem em andamento, acrescentou o regulador. Desde maio, quando foi divulgado o conteúdo da delação premiada dos irmãos Batista, a autarquia já abriu a 13 processos e inquéritos.

Leia também:

PF pediu busca na casa de Marcello Miller, mas juiz indeferiu

Fonte Oficial: http://www.valor.com.br/politica/5117234/wesley-batista-e-preso-pela-pf-em-sao-paulo.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!