Valor >> BNDES: Troca de ativos é possibilidade para devolver recursos à União

RIO  –  (Atualizada às 13h13) O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, indicou nesta quinta-feira que a troca de títulos entre a instituição de fomento e o governo federal pode ser uma alternativa à devolução dos R$ 180 bilhões à União. “Uma alternativa, para não baixar ativo e passivo, é um ativo que fica aqui [no banco] ser trocado por outro que dê capacidade ao governo de usar o valor recebido.”

Ele afirmou que não haveria impedimentos legais para fazer essa troca. “Economicamente, é mais bem arrumada. Em decorrência da troca, [o governo] consegue abater recursos para abater dívida.”

“O governo nos enviou uma carta que merece toda consideração porque o BNDES é parte do governo, e pediu que estudássemos uma eventual devolução. Uma devolução com esse nome – mera devolução – reduzindo o ativo caixa [do BNDES] e também reduzindo o passivo não é a solução mais inteligente no sentido de que diminui o tamanho e as características emprestadoras do banco”, disse Rabello de Castro.

Ele defendeu que o banco tenha condições de emprestar em momento de retomada da economia. “Nos gostaríamos, como BNDES, nesta fase de retomada dos investimentos e empregos, de preservar a saúde financeira [do banco], da qual faz parte caixa prudencial, e estarmos preparados para, em 2018, com mais investimentos sendo demandados em termos de financiamento, ser capazes de atender.”

O presidente do BNDES disse que o banco está fazendo estudos para tentar conciliar a necessidade emergencial do governo com necessidade do banco. Segundo ele, os R$ 180 bilhões pedidos pelo governo estão na linha de um “relacionamento negocial” dentro do próprio governo. “O governo olhou para o caixa [do BNDES] e copiou [quase integralmente] o número [em caixa]. Mas é como uma casa. Não podemos ficar sem dinheiro para comprar leite, pão e o jornal no dia seguinte.”

De acordo com ele, uma parte importante do caixa do banco é resultado da recessão que diminuiu a demanda por investimentos ao mesmo tempo que retornavam ao banco pagamentos de créditos contratados. “Nosso caixa cresceu, mas R$ 120 bilhões desses recursos [em caixa] são mera devolução por motivo de recessão passada e, em principio, serão demandados logo à frente.”

O executivo afirmou ainda que, em 65 anos de existência, o BNDES jamais “pediu socorro à viúva”, referindo-se à União. Disse que o banco vai fazer o possível para colaborar com o governo, “mas não necessariamente isso”, sem citar diretamente o pedido de devolução feito pela União. O montante se refere a empréstimos concedidos pelo Tesouro Nacional ao banco de fomento. “Mas solução haverá. Na medida prudencial, faremos porque o governo merece”, disse.

“Devolvemos só diretamente os polêmicos R$ 130 bilhões, fora os R$ 385 bilhões aplicados [no Programa de Sustentação de Investimentos], qual é a sobra que eu tenho? O caixa que eu tenho é porque as amortizações superaram os desembolsos”, afirmou.

Consultoria

Rabello também disse que o banco acabou de contratar consultoria alemã para fazer planejamento estratégico 2022-2030 e que tem conversado com lideranças empresariais e trabalhadores para ressuscitar um novo Conselho Superior de Classes Produtoras (Conclape).

De acordo com o executivo, em investimentos entre 2010 e 2017, o banco tem quase “R$ 1 trilhão” em consultas. E, referindo-se à expectativas, ele afirmou que o Produto Interno Bruto (PIB) pode crescer 3% em média ao ano na próxima presidência.

Fonte Oficial: http://www.valor.com.br/brasil/5119460/bndes-troca-de-ativos-e-possibilidade-para-devolver-recursos-uniao.

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