Valor >> Janot revoga acordo de todos os delatores da JBS

BRASÍLIA  –  (Atualizada às 17h02) O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, revogou integralmente o acordo de colaboração premiada do grupo J&F. Assim, os sócios do grupo, Joesley e Wesley Batista, bem como os executivos Ricardo Saud e Francisco de Assis perderam os benefícios da delação e serão processados.

Joesley deverá ser incluído na mesma denúncia que deverá ser apresentada ainda nesta quinta-feira contra o presidente Michel Temer (PMDB). Os dois serão acusados de obstrução de Justiça e Temer também responderá por organização criminosa.

A denúncia está em fase final de digitalização e deve ser protocolada até o início da noite desta quinta-feira no Supremo Tribunal Federal (STF).

Se a revogação do acordo for confirmada pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no STF, é grande a chance de que o acordo de leniência da J&F, fechado por R$ 10,3 bilhões, também seja rescindido.

Prisões

Joesley e Saud estão presos temporariamente em Brasília (por cinco dias). O prazo da prisão decretada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), termina nesta sexta, dia 15.

A prisão foi determinada depois que surgiram indícios de que os delatores omitiram informações em sua delação premiada, como a possível participação do ex-procurador da República Marcello Miller na elaboração do acordo apresentado à PGR. Miller foi auxiliar de Janot em Brasília até meados de 2016, quando voltou a trabalhar na Procuradoria no Rio.

Em fevereiro, o ex-procurador pediu sua exoneração e deixou o Ministério Público Federal oficialmente em 5 de abril, mas, segundo a PGR, há indícios de que ele auxiliava a JBS enquanto ainda era funcionário público. Miller nega irregularidades.

Ao menos o delator Joesley também será acusado. Isso não seria possível se a imunidade negociada em maio continuasse valendo. Pelo acordo, o Ministério Público abriria mão de denunciar os executivos da JBS à Justiça em troca das informações e provas que eles entregaram.

O acordo de delação tem uma cláusula que estipula que, se os colaboradores omitirem informações, eles perdem os benefícios. A PGR entende que é esse o caso. Outra cláusula prevê que, mesmo que os benefícios sejam revistos, as provas entregues pelos delatores e obtidas a partir da delação continuam válidas.

Fonte Oficial: http://www.valor.com.br/politica/5119784/janot-revoga-acordo-de-todos-os-delatores-da-jbs.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!