Jornal do Comércio >> Festuris amplia espaço para o público LGBT

Adriana Lampert

Foco de um dos segmentos do turismo que mais cresce em nível mundial – média de 11% ao ano -, o público LGBT é o que mais desembolsa recursos para o setor. Segundo dados da Out Leadership, quando em viagem, este público consome 30% a mais do que o convencional. “É o perfil de turista em potencial”, avalia o CEO da Feira Internacional de Turismo de Gramado (Festuris) Eduardo Zorzanello. Com a proposta de dar ainda mais visibilidade e atenção aos interesses do segmento, a 29ª edição do evento (que ocorre de 9 a 12 de novembro de 2017) contará com o espaço voltado a esse público em um novo formato e localização.

Segundo Zorzanello, o mercado do turismo LGBT cresce 3,5% ao ano no Brasil. “É fomentado por um público extremamente exigente e qualificado, que costuma viajar em média quatro vezes por ano”, dimensiona. Considerando ainda que o segmento é demandado por muitas pessoas com alto poder aquisitivo, associado ao fato de que, em geral, esse público viaja em períodos de baixa temporada, o executivo destaca que estes consumidores mantêm importante nível de injeção de recursos na economia dos destinos. Para se ter uma ideia, o público LGBT, em suas diferentes nuances, movimenta 10% de todo o turismo mundial, destaca o CEO do Festuris Gramado.

A estratégia da direção do evento para potencializar negócios e o networking entre os expositores e os agentes e profissionais compradores foi transferir o Espaço LGBT para área central da feira, em formato de ilha e com novo design. “Tudo estará mais arrojado e com os expositores distribuídos em mesas de trabalho, e não mais com balcões”, ilustra Zorzanello. Segundo o gestor, o Espaço LGBT já está com 50% das mesas comercializadas. Pousada Bernúncia, Uruguay, Gay Games, Associação Brasileira de Turismo GLS (Abrat GLS) e Revista Via G estão confirmados como expositores.

“Temos muita procura do público LGBT, por isso nos associamos à Abrat GLS, onde nossos colaboradores assistem a muitas palestras”, afirma a gerente da Pousada Bernúncia, Pamella Melo. Localizada na Praia Grande, na Penha (SC), a hospedagem fica próxima ao Parque Beto Carrero World. “É um destino muito procurado por famílias, e onde o público LGBT é recebido”, garante Pamella. “Pelas pesquisas, estes turistas selecionam mais os serviços, a qualidade da hospedagem e o valor agregado. Ficamos felizes que eles saiam satisfeitos com nosso atendimento.”

De acordo com o coordenador da International Gays and Lesbian Tourism Association (IGLTA) no Brasil, Clovis Casemiro, o Brasil é o segundo maior mercado gay no mundo por percentual de população, perdendo somente para os Estados Unidos. E, segundo o dirigente, quase todas as capitais do País já entenderam a importância de ser considerado um destino gay friendly (termo usado para referir-se a lugares, políticas, pessoas ou instituições que procuram ativamente a criação de um ambiente confortável para o público LGBT). “No entanto, os EUA atuam com mais força neste nicho – lá, cidades como Nova Iorque, Chicago e São Francisco, além de praticamente todo o estado da Flórida, investem muito no turismo gay.”

Também as principais capitais da Europa são bastante receptivas para este público: Barcelona, na Espanha, movimenta bilhões de euros e recebe 10 mil pessoas por dia durante o Circuit Festival (Festival Gay International), que se estende durante duas semanas do mês de agosto. Em junho deste ano, 2,6 milhões de pessoas desembolsaram € 150 milhões na cidade de Madrid, durante 10 dias do festival World Pride, o maior evento do orgulho LGBT no mundo.

“Queremos facilitar o incentivo em termos de rede hoteleira em destinos onde há atrativos para este público, e estimular a preparação das equipes para bem atender também no Brasil”, comenta o CEO da Festuris, destacando que, neste ano, haverá palestra sobre o tema durante o congresso paralelo à feira. Segundo o gestor da feira, os estados de Santa Catarina, Recife e Rio de Janeiro são os mais avançados na hospitalidade gay friendly no turismo brasileiro.

De acordo com a International Gays and Lesbian Tourism Association (IGLTA), o mercado de viagens gays e lésbicas movimenta US$ 54 bilhões anuais. “Esta é uma prova de que todo investimento neste segmento turístico é muito válido”, avalia o CEO do Festuris Gramado, Eduardo Zorzanello. “O evento foi vanguardista ao trabalhar para fomentar este nicho desde a criação do espaço LGBT em 2009”, destaca. Estas mudanças, segundo o gestor, fazem parte do aperfeiçoamento da feira e da potencialização de algumas características do evento, com foco na geração de negócios.

Voltado ao setor turístico na América do Sul, o Festuris Gramado ocorre na serra gaúcha e terá, em 2017, mais de 2,5 mil marcas em exposição. A estimativa é de que o público participante ultrapasse mais de 10 mil pessoas. O evento se divide em congresso, feira de negócios e atividades paralelas. Em 2016, a feira movimentou R$ 253 milhões em negócios, segundo levantamento das Faculdades Integradas de Taquara. Conforme Zorzanello, a criação do Espaço LGBT “foi um marco e vem fomentando este nicho de mercado”. “É importante lembrar que gays, lésbicas e demais nuances queer buscam destinos em que sejam acolhidos e que participem de uma verdadeira evolução social, que também passa pelo serviço no turismo”, comenta a ativista LGBT, Selma Ligth, que estará no Congresso do Festuris 2017 palestrando sobre a quebra de paradigmas na conquista de espaço para o segmento. De acordo com a palestrante, há países “muito mais evoluídos em políticas públicas e com leis que protegem o público LGBT”, enquanto, na contramão, o Brasil “que já tinha poucas ações para este público, tem diminuído sua atuação”. “Falta visão do poder público – e sabemos porque que isso acontece. Quando é vetada uma parada da diversidade, como vem ocorrendo em alguns estados, há um grande retrocesso.”

Para reverter esta situação, Selma acredita que é fundamental o treinamento de profissionais, para que este público se sinta bem tratado e acolhido na hotelaria e estabelecimentos comerciais das cidades que escolher como destino de lazer ou negócios. “E, infelizmente, ainda falta isso acontecer com maior frequência. É preciso entender que uma cidade que tem treinamento para receber o turista, tem um impacto positivo na sua economia”, destaca.

 

Fonte Oficial: http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2017/09/economia/585944-festuris-amplia-espaco-para-o-publico-lgbt.html.

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