Valor >> CPI: BNDES nega influência da diretoria na liberação de empréstimos

BRASÍLIA  –  Em apresentação na CPI do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Superintendente da Área de Controladoria do BNDES, Vânia Maria Borgerth, apresentou o modo de operação dos pedidos de empréstimos dentro do banco, destacando que as avaliações são técnicas, sem influência da diretoria.

“A decisão é sempre colegiada, não há hipótese de um indivíduo, mesmo o presidente, poder decidir sozinho pela aprovação”, afirmou.

A CPI foi instalada no começo de agosto para investigar irregularidades nos empréstimos do BNDES, especificamente na internacionalização de empresas a partir de 1997. O foco, de fato, são as operações envolvendo a J&F, controladora do grupo JBS, que também ganhou uma CPI.

Vânia também disse que o banco não prioriza setores em detrimento de outros. Se empresas não são atendidas é porque não apresentaram pedido ou não tem as condições para tomada do financiamento.

“Outro mito é que ele só apoia grandes empresas. Isso depende do foco. Por volume, isso é verdade. Mas olhando sob o ponto de vista em número de operações, só em 2016, 96% do número de operações foram para pequenas e médias empresas. Tirando do volume os desembolsos para setores como infraestrutura se percebe que os valores para pequenas e médias é superior ao desembolsado para grandes”, disse.

Vânia também destacou a qualidade de crédito da carteira do BNDES e a inadimplência abaixo do mercado, em 2%, contra 3,7% do mercado geral.

JBS

Sobre a internacionalização da JBS, Vânia disse que essa não é a única empresa apoiada. Outras companhias também se beneficiariam. Das 50 maiores empresas, 14 delas receberam apoio para sua ampliação internacional, como Gerdau, Vale, Totvs, Petrobras e Embraer.

Vânia também disse que o BNDES está completamente aderente à lei de governança das estatais. E que a transparência é algo importante no banco, que participa de órgãos e fóruns internacionais, como IFRS e IBGC.

Na audiência, o chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, Luiz Maranhão de Mello, explicou o funcionamento da área aos senadores e disse que o foco do BC não é sobre operações específicas, mas que ao se deparar com indícios de crimes comunica o Ministério Público Federal (MPF), que é o responsável pela persecução penal.

BNDESPar 

Mello também disse que o BNDESPar, área de participações do banco de fomento, não é regulado pelo BC, mas que o risco das operações feitas por essa área não é ignorado. O BC olha as operações do BNDESPar que afetam o balanço do BNDES e como ele gerencia esses riscos. Tal procedimento acontece com qualquer outra instituição.

Já o coordenador da Gerência Técnica do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, Marcelo Silveira Datz, explicou que o BC não atua nos atos de gestão das decisões dos bancos supervisionados, mas, sim, avalia o impacto das decisões sobre o risco da instituição.

Investigação é com os poderes policiais 

Vânia afirmou, ainda, aos senadores que o banco não consegue avaliar o caráter dos acionistas das empresas atendidas pela instituição. Segundo ela, se houve uso indevido, cabe aos poderes policiais investigar.

Os esclarecimentos de Vânia ocorreram na sessão de perguntas e respostas, e a superintendente apontou que o BNDES faz acompanhamento e procura verificar a correta aplicação dos recursos emprestados. Mas ponderou que as investigações que se desenrolam sobre a JBS e outras empresas do grupo J&F têm de ser feitas com grande cuidado, para que a pessoa jurídica não se confunda com a pessoa física dos sócios.

“O BNDES acompanha as investigações, mas está preocupado em não prejudicar a empresa. Se os acionistas faltaram com a ética e a devida responsabilidade devem ser punidos, mas temos de preservar a entidade, pois pais de família precisam desse salário gerado pela empresa”, disse.

De acordo com a superintendente, o banco não teve prejuízos com as operações envolvendo o JBS ou a Switf. “Posso garantir que, prejuízo, não tivemos”, disse, acrescentando que o banco já prestou esclarecimentos ao Tribunal de Contas da União (TCU) sobre as operações.

 

Fonte Oficial: http://www.valor.com.br/politica/5127368/cpi-bndes-nega-influencia-da-diretoria-na-liberacao-de-emprestimos.

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