Valor >> Mansueto: Ajuste fiscal é gradual e superávit pode vir só em 2021

BRASÍLIA  –  Em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), nesta quarta-feira (20), para debater a grave crise fiscal que atravessa o país, o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto Almeida, disse que o ajuste fiscal proposto pela equipe econômica depende da política para ser implementado.

Segundo ele, desde o início dos anos 1990, o Brasil nunca teve uma sequência tão longa de déficits primários. “O Brasil está numa sucessão de déficit primário que não acontece desde a Constituição”, afirmou.

Dívida bruta

Ele afirmou que o ajuste fiscal proposto pelo governo é gradual e que, dentro desse cenário, o governo voltaria a ter superávit primário apenas em 2021. Enquanto isso, o endividamento do país deve continuar subindo.

“O Brasil, para o seu nível de desenvolvimento, tem a segunda maior divida bruta (% do PIB) entre os países emergentes”, destacou. “Ajuste fiscal é necessário. No nosso caso, ele já é muito gradual e a dívida publica ainda crescerá”, comentou. “Se o Brasil fosse rico, nosso nível de endividamento não seria problema.” 

Segundo ele, o elevado endividamento não é problema para alguns países ricos pois estes conseguem emitir títulos de prazos mais longos e juro baixo. “As agências de classificação de risco querem olhar para frente e ver quando a dívida vai parar de crescer e começar a cair”, contou.

Mansueto mostrou que a dívida bruta do país foi de 78,3% do PIB e que, em emergentes, esse número corresponde a 47,3%. Ele destacou que a dívida brasileira teve um forte aumento de 2013 a 2017 por conta de decisões econômicas como a pressão para que o Tesouro emprestasse recursos para banco públicos e a concessão de empréstimos a Estados sem que houvesse capacidade de pagamento.

Ele destacou que ainda está sendo avaliada a devolução ao Tesouro Nacional, de R$ 50 bilhões neste ano e R$ 130 bilhões no próximo, de empréstimos feitos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES). Mas ainda está sendo verificada a capacidade do banco para fazer essa devolução.

A estabilização da Dívida Pública Bruta é muito sensível aos cenários de juros reais, resultado primário e crescimento da economia, disse o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda.

“Há a real possibilidade de termos juros reais abaixo de 4% e crescimento real do PIB entre 2,5% e 3% com avanço das reformas”, frisou o secretário. Mansueto reforçou que a estratégia de ajuste fiscal depende da aprovação de reforma da Previdência Social. Sem ela não há condições de se cumprir a regra do teto de gastos, afirmou o secretário.

 

Fonte Oficial: http://www.valor.com.br/brasil/5127306/mansueto-ajuste-fiscal-e-gradual-e-superavit-pode-vir-so-em-2021.

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