Jornal do Comércio >> Custo Brasil é o maior entrave ao turismo, diz presidente da Embratur

A burocracia e o ambiente de negócios desfavorável do País são hoje entraves maiores para o turismo do que a imagem do Brasil no exterior, mesmo em tempos em que a violência no Rio de Janeiro se destaca no noticiário. Essa é a avaliação do presidente da Embratur, Vinicius Lummertz, que defende a aprovação no Congresso do projeto de lei 2724/2015. Entre os pontos do PL, estão a transformação da Embratur em um serviço social autônomo (mais independente que a atual autarquia) e a abertura irrestrita do setor aéreo ao capital estrangeiro. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Na prática, o que muda se o PL for aprovado?

Primeira questão é a desvinculação do orçamento da União. Nosso orçamento é o mais baixo da história. Já tivemos, em 2011, US$ 100 milhões para promoção internacional; hoje temos US$ 17 milhões, sendo US$ 10 milhões contingenciados. Sairíamos desse contingenciamento e iríamos para um volume de recursos mais alto e independente.

De onde viriam os recursos?

Tem várias fontes sendo estabelecidas, como loterias e taxa de US$ 15 na emissão de passagens para o exterior. Mas, com o PL, também deixaríamos de estar amarrados. Não podemos hoje, como autarquia, ter escritórios no exterior nem fazer contratos lá fora. A burocracia impede a Embratur de se movimentar. Como serviço social autônomo, teremos membros da iniciativa privada no conselho, que vão ajudar na construção da estratégia com viés de mercado. Também é nosso interesse a abertura para o exterior do capital das empresas aéreas.

Como o setor se beneficia com a abertura de capital?

Em tese, mais disputa de mercado, inclusive a entrada das low costs, que é vital.

Uma low cost teria capacidade de atuar no Brasil com os atuais impostos? O sr. citou a possibilidade de uma taxa de US$ 15 para financiar a Embratur. Isso não dificulta a oferta de passagens baratas?

US$ 15 de uma passagem de US$ 1.500, para que o dinheiro gasto por um brasileiro no exterior possa se reverter num estrangeiro vindo aqui pagar essa conta da balança de pagamentos, é um custo baixo.

Mas é possível trazer as low cost?

As coisas estão mudando. O Brasil não é um país fácil de tratar competitividade, tem muita resistência e corporativismo, mas, sem dúvidas, a abertura ainda é a solução. Talvez não seja de imediato. É um erro achar que uma medida resolve tudo, mas ela é parte.

Quais os principais entraves do setor de turismo?

Para a área internacional, esses três movimentos – internacionalização do capital das aéreas, uma Embratur forte e o visto eletrônico para EUA, Canadá, Austrália e Japão e logo mais para a China – serão passos muito concretos. Mas, para um desenvolvimento sustentável do turismo, temos que melhorar o ambiente de negócios do Brasil, as condições para o investimento no turismo. O programa Brasil + Turismo visa isso, tirar o imposto dos parques temáticos, por exemplo. O Ministério do Meio Ambiente começou a fazer concessões de parques naturais. Para amadurecer o mercado brasileiro, temos de facilitar inclusive na questão ambiental. Temos bons exemplos de parques no Brasil: Foz do Iguaçu (PR), Parque Nacional da Tijuca (RJ) e Fernando de Noronha (PE). Quase 80% dos visitantes de parques do País estão nesses que foram concessionados. Esse é o caminho.

A imagem do Brasil no exterior, principalmente agora com a violência no Rio de Janeiro, não é um desafio?

Acho que o custo Brasil é o maior entrave hoje. A imagem das capitais latino-americanas é muito parecida, exceto uma pequena vantagem para Buenos Aires, Rio e Bogotá, por exemplo, todas têm imagem associadas a risco em áreas urbanas. A do Rio se agravou um pouco mais. Lógico que é um problema sério para toda a América Latina, não só para o turismo, mas para todos nós. No Rio, existe um grande esforço dos governos federal, estadual e municipal para o combate ao crime e existe o calendário turístico de outro lado. São dois esforços diferentes que fazem parte do mesmo programa. Precisamos divulgar o destino.

Fonte Oficial: http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2017/09/economia/588393-custo-brasil-e-o-maior-entrave-ao-turismo-diz-presidente-da-embratur.html.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!