Valor >> BC do Japão não deve partir para o aperto monetário tão cedo

SÃO PAULO  –  O Banco do Japão (BoJ) cumpriu o esperado e manteve sua política inalterada, com juros de referência entre 0% e 0,1% e a taxa de depósitos em -0,1%. A autoridade ainda espera que o crescimento ultrapasse sua taxa sustentável neste ano e no próximo, mas as lentas pressões de preços obrigaram o Conselho a reduzir suas previsões de inflação novamente na reunião desta quarta-feira (1º). 

O BoJ deixou o volume de compras de ativos inalterado em 80 trilhões de ienes ao ano, embora, na prática, esse montante esteja rodando a 60 trilhões de ienes. A razão para esta queda é a escassez de ativos disponíveis.

Em setembro de 2016, o BC japonês transferiu o foco de sua política de flexibilização quantitativa para o controle da curva de rendimentos dos títulos de 10 anos, de forma a manter o retorno neste prazo em torno de zero. Na terça-feira (31), Goushi Kataoka, que entrou no Conselho do BC japonês em julho, deu um voto dissidente (foram 8 a 1), recomendando que o BoJ tenha um alvo também para os yields dos bônus de 15 anos, além de tornar mais clara a intenção de adotar mais medidas caso haja atrasos em alcançar a meta de inflação de 2%. 

Em entrevista após a decisão, o presidente do BoJ, Haruhiko Kuroda, disse que o banco central manterá sua atual estrutura de flexibilização, incluindo seu programa de compra de ações, que visa reduzir os prêmios de risco, apesar da recente força na economia e do mercado acionário.

Kuroda disse também que o BoJ cumprirá seu objetivo de comprar cerca de 6 trilhões de ienes ao ano em fundos negociados em bolsa (ETF), embora o ritmo das compras possa flutuar dependendo das condições do mercado. 

De fato, com a alta das ações em 16 sessões consecutivas em outubro, o BoJ conseguiu comprar apenas 94,9 bilhões de ETF em outubro, em comparação com os 467,4 bilhões de ienes de setembro. Para alcançar o objetivo anual de compras (de 6 trilhões), o BC japonês precisaria adquirir cerca de 500 bilhões de ienes por mês nesses papéis. 

Ainda dentro do mix de ativos-alvo de compras do BoJ, serão mantidas os 90 bilhões de ienes em fundos de investimento imobiliário, 2,2 trilhões em commercial paper e os 3,2 de corporate bonds (valores médios anuais).

O mandato de Kuroda como presidente do BoJ termina em abril, mas ele é o favorito para um segundo mandato. Alguns conselheiros econômicos do primeiro-ministro Shinzo Abe pediram, no entanto, um novo presidente – tema que pode crescer nos próximos meses. 

Com esta decisão, o BoJ vai na contramão dos movimentos do Federal Reserve (Fed), do Banco Central Europeu e de outros bancos centrais e se afasta das medidas de alívio destinadas a impulsionar as respectivas economias nos anos após a crise financeira global.

Fonte Oficial: http://www.valor.com.br/financas/5179850/bc-do-japao-nao-deve-partir-para-o-aperto-monetario-tao-cedo.

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