Valor >> Powell no comando do Fed deve impactar pouco emergentes

SÃO PAULO  –  (Atualizado às 19h09) A escolha de Jerome Powell como presidente do Federal Reserve significa que as ações do banco central dos EUA vão importar menos do que outros fatores para os mercados emergentes no curto e médio prazos, diz Neil Shearing, economista-chefe de mercados emergentes da Capital Economics.

Segundo o economista, os países emergentes enfrentam desafios atualmente muito mais impactantes no curto prazo, como vulnerabilidades econômicas da China e as próprias políticas domésticas, do que os efeitos do aperto monetário gradualista atual do Fed, que deve se manter inalterado com a posse de Powell à frente do BC dos EUA.

Para Shearing, “os próprios mercados emergentes também se tornaram menos sensíveis às mudanças nas políticas do Fed desde que o banco central americano começou o ciclo de aperto monetário”.

O economista da Capital Economics chama a atenção para a mudança de quatro nomes no conselho do Fed para o ano que vem, o que pode levar a uma guinada mais “hawkish” de posições dentro do banco central americano. “Quarles [novo vice-presidente de regulação do Fed] é um falcão e John Taylor [que disputou com Powell a sucessão de Yellen] ainda está na linha para uma indicação a vice-presidente do Fed”, considera.

Taylor, economista da Universidade de Stanford e conhecido pela criação da “regra de Taylor” para definição de juros de política monetária, tem sido uma voz crítica do ritmo gradualista de alta de juros imprimida pela atual presidente da autoridade Janet Yellen.

J.P. Morgan

Gabriela Santos, estrategista de mercados globais do J.P. Morgan Asset Management, afirma que a indicação não terá efeitos negativos sobre os mercados emergentes.

Powell à frente do Fed significa a continuidade do rumo atual da política monetária americana, que sob a direção de Yellen manteve um perfil gradualista e previsível. “Nós continuamos a esperar mais uma alta de juros neste ano e outras três no ano que vem”, afirma Gabriela.

Para a estrategista, a combinação de uma estratégia gradualista e bem telegrafada de aperto monetário pelo Fed em conjunto com os melhores fundamentos dos mercados emergentes ajuda a afastar os eventuais impactos negativos das futuras altas de juros pelo banco central americano.

No ano que vem, o J.P. Morgan Asset espera que os mercados emergentes mantenham a atratividade para os investidores estrangeiros. “Acreditamos que o dólar vai continuar mais fraco em 2018 no nível que estamos vendo neste ano e, no caso dos emergentes, vemos as commodities mais estáveis e esperamos moedas mais estáveis também”, considera a estrategista.

De acordo com Gabriela, a diferença entre Powell e Yellen vai ficar mais restrita à forma como o futuro presidente do Fed vai lidar com a regulação bancária nos EUA. “A abordagem de Powell sobre a regulação bancária deverá ser mais flexível e aberta uma revisão das regras do setor, mas isso pode ser positivo para o setor financeiro americano.”

Fonte Oficial: http://www.valor.com.br/financas/5180547/powell-no-comando-do-fed-deve-impactar-pouco-emergentes.

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