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Notícia da edição impressa de 03/11/2017.
Alterada em 02/11 às 21h28min

Falha paralisa a maior refinaria da Petrobras

Gases gerados nos processos de produção tiveram que ser direcionados para as chaminés, ocasionando uma emissão intensa de poluentes

LUCIANO CLAUDINO/CÓDIGO19/FOLHAPRESS/JC

A maior usina da Petrobras, a Refinaria de Paulínia (Replan), está com suas operações paralisadas desde quarta-feira, após uma falha operacional obrigar a empresa a interromper o trabalho de todas as suas unidades de processo. Segundo a Petrobras, a falha fez com que o sistema de proteção da refinaria provocasse a variação da chama da tocha, gerando uma fumaça escura sobre as imediações da unidade. A Replan fica a 118 quilômetros da capital paulista.

“A Petrobras informa que, nesta quarta-feira, houve uma falha operacional, já controlada, na Refinaria de Paulínia (Replan), localizada em Paulínia (SP), que levou à parada das unidades de processo, provocando corretamente a variação da chama da tocha, um dos sistemas de proteção e segurança da refinaria. Não houve danos às pessoas nem às instalações. A Replan está trabalhando para normalizar a situação”, informou a estatal. A refinaria continuou parada nesta quinta-feira, feriado de Finados, e não há, ainda, estimativa de retomada.

A Replan tem capacidade para processar 415 mil barris diários de petróleo, ou 20% de todo o refino nacional. O produto utilizado é basicamente da bacia de Campos, um óleo mais pesado do que o encontrado no pré-sal da bacia de Santos. A unidade produz gasolina, óleo diesel, Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), óleo combustível, Querosene de Aviação (QAV) e vários produtos utilizados pela indústria petroquímica.

A Replan está interligada ao Terminal de São Sebastião, Terminal Guararema e Terminal de Barueri, além dos terminais das distribuidoras do Pool Paulínia, Terminal da Petrobras Distribuidora e Base da Liquigás para GLP.

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), agência do governo do estado de São Paulo que faz o controle, fiscalização, monitoramento e licenciamento de atividades geradoras de poluição, informou que a Replan só deverá voltar a operar normalmente dentro de cinco a seis dias. A agência está avaliando se multa ou apenas adverte a estatal pelo acidente.

A Cetesb informou que, por volta das 13h desta quinta-feira, foi acionada para atender ao acidente na refinaria em Paulínia, onde os gases gerados nos processos de produção tiveram que ser direcionados para os “flares” (chaminés), que não puderam operar normalmente pela falta de ar comprimido e vapor, suprimento este crucial para o bom funcionamento dos queimadores.

“Este fato gerou a emissão intensa de poluentes (material particulado e fumaça preta) na atmosfera, provenientes da chaminé da unidade de craqueamento catalítico”, disse a Cetesb.

As emissões permaneceram até as 23h30min de quarta-feira, quando houve a regularização do suprimento de vapor para esses equipamentos. Na próxima semana, a Cetesb avaliará quais providências administrativas cabíveis serão adotadas contra a Replan.

 

Sindipetro acusa estatal e convoca, para esta sexta-feira, assembleia sobre o acidente

O Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP) marcou, para esta sexta-feira, assembleia para discutir o acidente ocorrido na quarta-feira na Refinaria de Paulínia (Replan), maior unidade de refino da Petrobras. A Replan, que tem capacidade para processar 415 mil barris diários de petróleo, ou 20% da produção nacional, está parada desde quarta-feira, depois de uma falha técnica ter provocado problemas em quase todas as unidades que compõem o complexo, localizado a 118 quilômetros da capital paulista.

A Replan ocupa uma área de cerca de nove quilômetros, cujo entorno ficou tomado por uma espessa fumaça tóxica, segundo o diretor do Sindipetro-SP, Arthur Ragusa. De acordo com ele, esta é a terceira vez que a Replan para em menos de um mês, informou. Das outras duas vezes, a falha se deu por falta de energia elétrica e nada ocorreu de grave. Desta vez, segundo Ragusa, a falta de ar comprimido nas unidades, devido ao rompimento de uma tubulação, prejudicou a operação de todas as unidades e provocou a emissão de gases tóxicos na atmosfera.

“O ar comprimido é usado para o controle de válvulas. Com a falta dele, a unidade de craqueamento (separação dos componentes do petróleo) acionou a reversão por segurança, e o produto que viria para dentro da unidade saiu pela chaminé e formou uma imensa nuvem de fumaça com uma mistura de gasolina, GLP e óleo diesel vaporizados, com alto grau de explosividade”, explicou o petroleiro, lembrando que poderia ter havido uma explosão se a fumaça encontrasse no caminho um maçarico, por exemplo. O alarme, disse, demorou meia hora para ser acionado.

Na Replan, trabalham 2 mil pessoas, de acordo com o sindicato. No momento do acidente havia cerca de 1,6 mil empregados no local, entre contratados e terceirizados. “Todos ficaram muito assustados, em pânico, e saíram correndo, mas, felizmente, ninguém se machucou”, afirmou.

Para Ragusa, uma das fontes do problema da Replan é a redução de cargos que foi realizada recentemente. Ele informou que, no painel de controle da unidade de craqueamento, por exemplo, havia quatro postos de trabalho, reduzidos para três com a reestruturação da estatal. “O quadro, hoje, não consegue ter a mesma abordagem de antes, não consegue enfrentar com a mesma capacidade de serviço”, avaliou.

Ragusa disse que a “sorte” dos empregados no local foi o fato de estar ventando muito na tarde de quarta-feira, o que dissipou a fumaça tóxica. Mesmo assim, a Petrobras deve ser multada pelos órgãos do meio ambiente, afirmou o diretor do Sindipetro-SP.


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Fonte Oficial: http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2017/11/economia/594391-falha-paralisa-a-maior-refinaria-da-petrobras.html.

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