Valor >> Dólar sobe 1,28%, supera R$ 3,30 e retoma níveis de julho

SÃO PAULO  –  A saída de investidores de posições em câmbio de países emergentes atingiu em cheio o real brasileiro, que chegou a amargar a maior queda desde o estouro da crise política provocada pelas delações da JBS, há quase meio ano.

No fechamento dos negócios aqui no Brasil, o dólar subiu 1,28%, atingindo R$ 3,3064, rompendo com folga uma importante resistência técnica que vinha ajudando a manter os preços abaixo desse patamar.

O preço alcançado é o mais alto desde 4 de julho (R$ 3,3082).

Na máxima, a cotação foi a R$ 3,3347, em alta de 2,15% – a maior valorização intradiária desde o salto de 8,85% do dia 18 de maio, quando os mercados brasileiros sofreram uma onda de vendas em meio às denúncias do empresário Joesley Batista contra o presidente Michel Temer.

O catalisador para o ajuste no câmbio doméstico veio do exterior. A lira turca e rand sul-africano entraram em espiral de baixa e arrastaram junto não só o real mas também o peso mexicano e o rublo russo, duas das mais negociadas moedas emergentes.

Como um todo, as moedas emergentes caíram ao menor patamar desde 9 de março.

Investidores dizem que o desconforto com o câmbio emergente visto hoje e nas últimas semanas está ligado à mudança de percepção do mercado com relação à política monetária dos Estados Unidos.

Apesar do alívio das incertezas ontem, com a indicação de Jerome Powell para liderar o Federal Reserve (Fed, banco central americano), alguns dados econômicos nos Estados Unidos abrem espaço para mais altas de juros na maior economia do mundo – um movimento que ampliaria a atratividade dos investimentos no mercado americano em detrimento dos ativos de países emergentes.

A abertura de vagas de emprego, revelada pelos dados do “payroll” de outubro, veio aquém das expectativas, mas a taxa de desocupação voltou a recuar, cenário que joga a favor de mais inflação e, portanto, de mais juros nos Estados Unidos.

O efeito disso é piorado em alguns emergentes por questões idiossincráticas. O chefe global de estratégia para moedas emergentes do banco Brown Brothers Harriman, Win Thin, diz que, no caso do real, pesam as dúvidas sobre o ajuste fiscal brasileiro. “E o Banco Central está muito agressivo no corte de juros. Isso está diminuindo a atratividade do real num momento em que o dólar ganha apelo no mundo todo.”

Fonte Oficial: http://www.valor.com.br/financas/5181609/dolar-sobe-128-supera-r-330-e-retoma-niveis-de-julho.

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