Valor >> Juros sobem puxados por alta do dólar

SÃO PAULO  –  O mercado brasileiro de renda fixa voltou nesta sexta-feira a experimentar o novimento de vendas que tem se repetido nas últimas semanas.

A disparada do dólar em meio à onda de vendas de moedas emergentes e à abertura de taxas de juros em mercados como Turquia e África do Sul deu argumentos para investidores prosseguirem a zeragem de posições que tem dado a tônica no mercado de contratos DI.

As taxas mais curtas oscilaram pouco, num indicativo de que, por ora, operadores veem menos riscos à trajetória de juro básico da economia a 7% – taxa que deve ser alcançada até o fim deste ano. Mas uma medida de risco nos vencimentos intermediários – que captura a percepção para o período pós-eleição – bateu uma nova máxima, denunciando a postura cada vez mais conservadora do mercado, que amplia a demanda por proteção.

O cenário externo atua como pano de fundo do movimento no Brasil, mas analistas têm reforçado o coro de que as incertezas domésticas vêm abrindo espaço para correções ainda mais intensas. Entre as dúvidas estão a capacidade do governo de aprovação da reforma da Previdência, riscos de uma guinada à esquerda nas eleições de 2018 e a possibilidade de o país não sustentar Selic na casa de 7% por muito tempo.

Não bastassem esses temas, a expectativa de retomada mais firme da economia continua a diminuir o risco/retorno de aplicações na renda fixa, o que acaba estimulando mais saídas de posições desse mercado.

Ao fim do pregão regular, às 16h, o contrato DI janeiro/2023 subia para 10,160% ao ano (10,000% no ajuste anterior). Na máxima do dia, foi a 10,300%, alta de 27 pontos-base em relação ao fechamento de quarta-feira (10,030%).

O DI janeiro/2021 tinha alta para 9,420% (9,260% no ajuste de ontem).

O DI janeiro/2020 ia a 8,550% (8,440% no último ajuste).

E o DI janeiro/2019 marcava 7,300% (7,270% no ajuste anterior).

O rali das taxas nesta sexta-feira e nos últimos dias, no entanto, pode ter levado os preços a patamares interessantes para venda, pelo menos na visão do Morgan Stanley.

“Apesar do ‘sell-off’ de mais de 30 pontos-base da semana passada, há bom valor na curva, levando-se em conta que o BC deixou a porta aberta para cortes da Selic para abaixo de 7%, o excessivo prêmio de risco na curva e a já baixa expectativa em torno da reforma da Previdência”, escreveram os profissionais do banco em relatório.

Fonte Oficial: http://www.valor.com.br/financas/5181565/juros-sobem-puxados-por-alta-do-dolar.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!