Valor >> Meirelles sonha com presidência e nega papel na J&F, diz revista

SÃO PAULO  –  O desejo de ocupar a presidência da República pelo atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, data pelo menos de 1998, dois anos depois de ter se tornado presidente mundial do BankBoston, relata a edição de novembro da revista Piauí, que traz um longo perfil do engenheiro civil de 72 anos, goiano de Anápolis, que presidiu o Banco Central durante os dois mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva como chefe do Executivo federal.

Entrevistado para a reportagem da revista, disponível no site para assinantes, o ministro diz que ainda não tomou sua decisão, e que sabe que, se realmente se candidatar ao cargo, terá de responder insistentemente sobre sua relação com a J&F, holding controladora do grupo JBS, na qual ele presidiu o conselho de administração de 2014 até passar a integrar o governo do presidente Michel Temer, no ano passado.

Como tem feito seguidamente em entrevistas coletivas ou exclusivas à imprensa nacional, o ministro minimiza sua participação nas decisões do grupo criado a partir de um açougue do patriarca José Batista Sobrinho nos anos 1950 na cidade natal de Meirelles.

Em conversa com a revista, o ministro diz que o conselho de administração da holding nunca se reuniu no período em que ele o presidiu e que ele não teria feito “nada” como ocupante da cadeira principal, apesar de a reportagem citar cinco atas assinadas por Meirelles encontradas na Junta Comercial de São Paulo, relativas à aprovação de contas, eleição e renúncia de conselheiros.

Apesar de o advogado que elaborou os contratos entre Meirelles e a J&F, procurado pela revista, dizer que o atual ministro da Fazenda não pode ser responsabilizado por desvios do grupo, por se tratar apenas de consultoria, um especialista em governança corporativa também ouvido pela reportagem avalia que a questão não é tão pacífica assim, e que é “no mínimo estranho” alguém assinar atas de reuniões das quais não participou.

À Piauí, Meirelles voltou a dizer que seu trabalho para a J&G estava limitado à montagem de um banco digital, uma ideia antiga sua, segundo ele, em referência ao Banco Original, do grupo de Joesley Batista. O ministro diz à revista que nunca recebeu proposta de fazer qualquer coisa errada em sua vida profissional. O titular da Fazenda admite que Joesley lhe perguntara sobre Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) Comissão de Valores Mobiliários e BC, mas isso quando ele estava saindo da holding para o governo. Meirelles teria assegurado à reporter que, desde que entrou para o governo, nunca mais falou com o empresário.

A revista cita ainda reportagem recente do site BuzzFeed Brasil que mostrou que os contratos feitos por Meirelles com empresas diversas renderam R$ 217 milhões para sua empresa de consultoria entre 2012 e 2016. Desse total, a revista estima que R$ 180 milhões vieram da J&F.

Comentando os números à jornalista da Piauí, Meirelles diz que trata-se de um valor muito baixo para os serviços que ele prestou.

Fonte Oficial: http://www.valor.com.br/politica/5181419/meirelles-sonha-com-presidencia-e-nega-papel-na-jf-diz-revista.

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