Jornal do Comércio >> Ouro deve seguir em alta com turbulência global

Talvez o mais antigo instrumento de reserva de valor, o ouro segue cumprindo esse papel. A procura e, consequentemente, o volume de transações não são mais os mesmos de antigamente, mas ainda há diversas opções para investimento no metal precioso, reconhecido pela sua valorização no longo prazo. O momento, porém, pode ser de ganhos até mesmo para períodos curtos. Analistas desse mercado creditam a última onda de valorização aos conflitos geopolíticos, em especial o embate entre EUA e Coreia do Norte, e preveem continuidade na tendência.

Ao contrário da maioria das aplicações, o preço do ouro se beneficia de instabilidades em geral. Sendo algo material, finito e aceito no mundo todo, sem risco de perder totalmente seu valor, em períodos de crise e maior risco, quem possui patrimônio acaba migrando ao metal, cujo preço costuma ser pouco volúvel. Já na situação inversa, quando há bonança e estabilidade, tiram suas reservas do ouro e transferem os recursos à bolsa de valores, por exemplo, em busca de maiores rendimentos.

“Para investidores, o ouro seria uma aplicação a médio e longo prazo. Mas em períodos de oscilações, aumenta bastante a procura de quem o busca para ganhar dinheiro”, argumenta Mauriciano Cavalcante, diretor de câmbio da corretora especializada Ourominas. Nos últimos dois anos, primeiro com a crise política interna e depois com os diversos fatores externos, que incluem ainda o Brexit e os conflitos no Oriente Médio, a procura pelo ouro teria aumentado 40%, segundo Cavalcante.

O panorama global é relevante porque o preço do ouro é formado internacionalmente – o valor no Brasil só descola do exterior se houver uma disparada no câmbio por aqui. E, até aqui, em 2017, a tendência é de alta. A onça-troy (equivalente a 31,1 gramas) comercializada em Nova Iorque, que fechou o primeiro dia de janeiro em US$ 1.151,05, encerrou outubro cotada a US$ 1.270,50, valorização de 10,4%.

O preço, porém, ainda está abaixo da máxima de 2016, em 6 de julho, quando a onça-troy fechou o dia cotada a US$ 1.364,90, concluindo uma etapa de revalorização após sucessivas quedas desde o início de 2013. Diretor de câmbio do Banco Paulista, também especializado no mercado de metais, Tarcísio Rodrigues Joaquim, vê espaço para que a cotação ultrapasse essa pequena barreira no futuro próximo. “Depende de como vão continuar esses fatores, mas os atritos do governo dos EUA que colocam até a globalização em jogo podem fazer com que o ouro tenha uma valorização ainda maior no médio prazo”, comenta o analista, que vê chance de que se aproxime ainda mais da máxima da década, em 2011, quando ultrapassou os US$ 1.900.

No mercado nacional, o ouro passa por um processo de valorização em linha com o mercado global. Comercializado no início do ano a R$ 120,00, a grama do metal fechou outubro em R$ 133,50, valorização de 11,25%, mesmo que o cenário interno de juros e inflação em queda, teoricamente, não ajude no encarecimento do ouro. Moacir Camargo, economista da Parmetal, outra corretora especializada, ainda acrescenta que uma grande consumidora do ouro, a indústria de joias, também não joga a favor da valorização, tendo reduzido as compras pela menor demanda por joias por parte dos consumidores. “Com esse novo cenário, as expectativas para o consumo do metal sob a forma de joias aumentam, porém, como o ouro é uma commodity, a melhora pouco agrega no preço”, argumenta Camargo, lembrando que o consumo interno é insignificante em relação ao consumo mundial. Entre os maiores produtores do mundo, o ouro extraído no Brasil acha facilmente compradores no exterior, escoando o metal se não acha compradores internos pelo preço balizado mundialmente.

O economista ressalta, entretanto, que se os investidores estrangeiros fugirem do mercado financeiro local por conta de expectativas frustradas com o governo, há possibilidade de valorização da moeda norte-americana, assim como o visto em 2015, amplificando ainda mais o efeito do aumento no valor do metal em solo brasileiro no futuro breve.

Principais formas de negociação são feitas em papéis no mercado futuro ou em barras

Além da especulação, o ouro costuma atrair compradores em busca de outros objetivos. Como caminha, geralmente, em sentido inverso ao da bolsa de valores, por exemplo, o metal pode ser usado como hedge para equilibrar possíveis perdas em ações. “Ou você faz uma locação especulativa, ou você pode instituir como política ter parte de sua carteira em ouro, cujo objetivo é ter uma forma de seguro para uma situação de crise mais aguda”, comenta o sócio do Grupo L&S, Leandro Ruschel.

Independentemente do objetivo, porém, há duas formas principais de compra: a do ouro físico e de papéis no mercado futuro. Na bolsa, há relativa facilidade quanto, claro, o recebimento do produto. Além disso, Ruschel acrescenta que há custos mensais em torno de 0,07% do valor estocada sob forma de tarifa de custódia, além de taxa média de corretagem de 0,2% – o Banco do Brasil alega não cobrar a taxa de corretagem, mas cobra taxa de custódia de 0,15% a 0,2%.

O problema é que, segundo os analistas, a única opção com liquidez razoável é o produto chamado OZD1, que são lotes de 250g – o investimento mínimo, portanto, fica em torno de R$ 32 mil. O Banco do Brasil oferece ainda ouro na modalidade escritural, em múltiplos de 25g, diminuindo o aporte necessário. “Há ainda na bolsa o mercado fracionário, de 10g, mas que é muito difícil achar comprador e vendedor, geralmente nem se toca nele”, comenta Mauriciano Cavalcante, da Ourominas. Economista da Parmetal, Moacir Camargo ressalta ainda que as negociações se dão apenas no mercado spot (à vista), dificultando também a compra em alguns casos.

No mercado físico, a vantagem é que se pode fazer a compra na quantidade desejada. As corretoras que fundem e vendem as barras, aliás, garantem a recompra, eliminando a questão da liquidez. As entregas podem ser feitas até por correios (em quantidades pequenas) ou transportadoras de valores, as quais também costumam oferecer a custódia das barras (o custo médio também gira em torno dos 0,07%) caso o comprador não queira mantê-las sob sua posse. “Além desse custo, porém, você ainda irá pagar um spread maior, pagando um pouco mais na compra e recebendo um pouco menos na venda, que é de onde as corretoras tiram seu lucro”, contrapõe Ruschel. O analista cita ainda a existência de fundos que investem em ouro, embora sejam mais comuns no exterior.

Fonte Oficial: http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2017/11/economia/594512-ouro-deve-seguir-em-alta-com-turbulencia-global.html.

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