Valor >> Não há descolamento perfeito entre economia e política, nota Ilan

SÃO PAULO  –  O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, afirmou que não há um descolamento perfeito entre economia e política. Mesmo assim, disse que na medida em que se consegue avançar na economia, dar confiança e tranquilidade, a atividade pode ter seu próprio ritmo. A declaração foi dada em entrevista publicada no domingo pelo jornal Correio Braziliense.

Ilan também reforçou que, para poder garantir a sustentabilidade dos juros mais baixos, é importante continuar com o processo de ajuste fiscal e reformas, entre elas, a da Previdência. “Se você, de fato, colocar as contas públicas em ordem — e não falo só deste ano mas, sim, ao longo do tempo — teremos uma taxa de juros estrutural menor. Se a taxa estrutural de juros não cair, a questão será temporal”, comentou.

Ele apontou, no entanto, que algumas melhorias já aprovadas têm efeito nos juros estruturais. “Quanto mais a gente perseverar, nas reformas e nos ajustes que ainda não vieram, melhor. Isso não significa que as outras reformas que foram feitas não ajudaram a reduzir os juros estruturais no país”.

O presidente da autoridade monetária não quis fazer nenhum prognóstico sobre a possibilidade de aprovação da reforma da Previdência, mas disse que “a gente gostaria que fosse tentado”.

Ele também comentou que o mercado de crédito está melhorando, com desempenho positivo para pessoa física há cinco meses consecutivos. Já para pessoa jurídica, ainda há um processo de desalavancagem. “As empresas ainda não acabaram esse processo. Temos boas chances de isso ocorrer em pouco tempo”.

Questionado sobre a possibilidade de, com a recuperação da economia, haver o retorno de pressões inflacionárias pelo lado da demanda, Ilan explicou que a capacidade ociosa ainda é grande. “Isso é uma questão que vai se colocar no futuro, mas não em um futuro próximo. A gente acha que ainda há capacidade ociosa e uma recuperação gradual.”

Ele também defendeu que seja aprovada uma lei para dar autonomia formal ao BC. “Há entendimentos diferentes entre parte do Congresso e o nosso quanto aos benefícios e aos custos de uma reforma dessas. Nós achamos que a autonomia em lei do BC trará muitos benefícios e pouco custo”.

Em relação à escolha do novo presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Jerome Powell, Ilan foi sucinto. “O mercado acha que Powell não mudará muito a trajetória dos juros nos EUA. As decisões do Fed mexem com todos os ativos, e também os brasileiros”, comentou.

Fonte Oficial: http://www.valor.com.br/financas/5183009/nao-ha-descolamento-perfeito-entre-economia-e-politica-nota-ilan.

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