Valor >> Banco brasileiro valoriza inteligência artificial, diz pesquisa

SÃO PAULO  –  Tópico recorrente nas campanhas de marketing e nos eventos de empresas de tecnologia, a inteligência artificial (IA) tem ganhado importância na estratégia dos bancos, especialmente no Brasil. O assunto chama mais atenção do setor financeiro no país do que no resto do mundo. Quase um terço das instituições (30%) enxergam a inteligência artificial como algo importante, bem mais que os 23% do Reino Unido e do México e os 17% dos EUA, segundo pesquisa da empresa de tecnologia alemã GFT, especializada no mercado financeiro.

De acordo com Leonardo Azevedo, diretor de vendas da companhia, o percentual mais elevado no Brasil está ligado ao porte dos cinco maiores bancos no país. Com dezenas de milhões de clientes – cenário que é menos recorrente nos EUA, por exemplo, onde o setor bancário é mais pulverizado -, eles precisam investir em áreas que deem escala às suas operações, e a inteligência artificial responde exatamente a essa demanda. Especialmente quando o assunto é o atendimento ao cliente, uma tarefa custosa e bastante repetitiva que tem grande potencial de automação.

Embora seja o país mais empolgado em relação à IA, o Brasil apresenta níveis de preparo dos sistemas de tecnologia abaixo da média mundial. Os principais desafios estão relacionados à criação de uma infraestrutura capaz de crescer rapidamente e com baixos custos (a briga entre investir internamente ou contratar na nuvem), a disponibilidade de mão de obra preparada para gerenciar os sistemas, os sistemas capazes de alimentar os algoritmos e as parcerias com fintechs e fornecedores de IA.

O caso mais conhecido é o do Bradesco. Desde 2014, o banco vem investindo no Bradesco Inteligência Artificial, ou BIA. O sistema desenvolvido em cima do Watson, da IBM, começou a ser usado internamente, para solucionar dúvidas de gerentes e funcionários. Participaram dessa primeira fase 65 mil pessoas de 8,7 mil agências e postos de atendimento.

No período de treinamento, a BIA aprendeu a responder mais de 2,5 milhões de perguntas com mais de 90% de precisão nas respostas e se tornou um dos maior cases do sistema de computação cognitiva da IBM no mundo. Mais recentemente, o sistema foi liberado para uso dos correntistas. O uso já chega a 17 mil usuários por dia. Por enquanto, só dá para buscar informações de produtos e serviços por chat ou reconhecimento de fala, mas a promessa é que até o fim do ano seja possível fazer transações financeiras.

De acordo com a pesquisa, o atendimento virtual aos clientes está em segundo na fila das aplicações mais comuns da inteligência artificial no mundo – só perde para a automação de processos internos por meio de robôs (19% para a automação de processos, contra 17% do atendimento). A aplicação, no entanto, é a que conta com o maior volume de provas de conceito (31% dos bancos dizem ter algum teste).

Na terceira edição da pesquisa sobre os investimentos dos bancos em novas tecnologias, a GFT ouviu profissionais de 285 bancos ao redor do mundo, sendo 30 no Brasil. O que ficou claro, segundo Azevedo, é que os investimentos na modernização dos bancos é um caminho sem volta. No Reino Unido e na Suíça, por exemplo, todas as instituições ouvidas estão em processo, ou já concluíram iniciativas de transformar suas operações investindo em atendimento digital e tecnologias que melhoram as suas atividades. No Brasil, o índice chegou a 83%. Os 17% restantes disseram não ter nenhuma estratégia traçada.

Fonte Oficial: http://www.valor.com.br/empresas/5184729/banco-brasileiro-valoriza-inteligencia-artificial-diz-pesquisa.

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