Jornal do Comércio >> Apenas 58% dos fundos de ações superaram a bolsa

Em busca de maiores retornos do que na renda fixa, arrefecida com a queda dos juros, muitos brasileiros viram nos fundos de ações uma oportunidade para colocar o pé na renda variável e entrar indiretamente na bolsa, que, em outubro, encostou nos 77 mil pontos e aguçou o apetite por risco. No entanto, neste ano, apenas 58% dos fundos de ações renderam acima do Ibovespa – principal índice de ações do mercado brasileiro.

A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) analisou o desempenho de 1,2 mil fundos de ações de janeiro até setembro deste ano – dado mais recente disponível. O levantamento excluiu fundos que investem no exterior, fundos fechados, fundos mútuos de privatização (FMP-FGTS) e fundos que investem em apenas uma empresa.

Entre os fundos que se propõem a replicar índices (ações indexado), apenas 38% conseguiram bater o Ibovespa – que avançou 23,36% nos primeiros nove meses do ano. Já entre os que pretendem superar o índice (ativos), 60% foram bem-sucedidos. Entre os que buscam ações que paguem mais dividendos, 44% tiveram valorização acima do índice.

Fundos de ações são indicados para quem deseja investir em empresas, mas não tem disponibilidade ou experiência para estudar o mercado e pesquisar quais são as mais promissoras em determinado prazo e cenário. Esses produtos têm, pelo menos, 67% da carteira investida em ações e funcionam como um condomínio, no qual os investidores compram cotas. Além disso, os fundos são mais acessíveis – já que, para pulverizar o risco e montar uma carteira de ações diversificada, o investidor teria de desembolsar um valor muito mais elevado.

Na contrapartida, a instituição financeira geralmente cobra uma taxa de administração. No levantamento, elas variaram de 0% a 7,5% ao ano. Há, ainda, fundos que cobram a chamada taxa de performance – taxa adicional quando a rentabilidade ultrapassa determinado patamar. Segundo especialistas, é comum que as carteiras que se balizam por uma referência rendam menos que o índice em si, por causa dos custos para montá-las e da taxa de administração. Além disso, o mercado de renda variável visa mais ao longo prazo – o que permite, a depender da estratégia do gestor, que haja disparidades no curto prazo.

“Muitos gestores se posicionaram muito fortemente em ativos que poderiam se beneficiar do andamento das reformas e da retomada econômica, como Petrobras, Banco do Brasil e Eletrobrás. Aí, veio a delação da JBS, as denúncias contra (Michel) Temer e o impasse da reforma da Previdência – o que causou muito mais volatilidade”, explica Celson Plácido, estrategista-chefe da XP Investimentos. “Alguns gestores viram oportunidade na queda de ações específicas – por isso, no curto prazo, alguns não tiveram um bom desempenho.”

Outro fator responsável pelo desempenho tímido de alguns fundos de ações é a taxa de administração, que corrói a rentabilidade. “Na prática, se um fundo tem taxa de administração de 3% ao ano, já começa negativo, devendo render 3% para pelo menos empatar com o Ibovespa”, explica Giácomo Diniz, especialista em renda variável. “Depende do perfil e do desempenho de cada fundo, mas eu não trabalharia com uma taxa acima de 1% ao ano.”

Por isso, observa Diniz, é essencial avaliar o histórico do fundo. “Sabemos que rentabilidade passada não é rentabilidade futura, mas o intuito é medir a consistência do gestor. É bom olhar pelo menos os últimos 36 meses.”

Informações como a taxa de administração podem ser encontradas na lâmina – documento disponível no ambiente de negociação das corretoras e também no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “É preciso examinar a lâmina do fundo para olhar as suas características: taxa de administração, mandato, se visa ao curto ou ao longo prazo e, principalmente, o objetivo: replicar ou superar o Ibovespa, se tem gestão ativa ou passiva”, explica Roberto Indech, analista-chefe da Rico Investimentos.

As dúvidas sobre a capacidade do governo de aprovar a reforma da Previdência pesaram sobre o mercado financeiro na sexta-feira e fizeram a bolsa brasileira emendar a quarta semana seguida de desvalorização. O dólar subiu, mas acumulou queda na semana por preocupações com o plano tributário do norte-americano Donald Trump.

O Ibovespa recuou 1,05%, para 72.165 pontos, menor nível desde 5 de setembro. O giro financeiro foi de R$ 9,046 bilhões, abaixo da média diária do mês (R$ 10,37 bilhões). Na semana, a queda foi de 2,37%.

O dólar comercial registrou alta de 0,61%, para R$ 3,281. Na semana, houve desvalorização de 0,82%. O dólar à vista, que fecha mais cedo, encerrou o dia com avanço de 0,56%, a R$ 3,277. Na semana, recuou 0,85%.

Das 59 ações do Ibovespa, 44 fecharam em baixa, 12 subiram e duas terminaram estáveis. A maior queda foi registrada pelos papéis da Rumo, de concessões logísticas, com desvalorização de 6,22%. A Ultrapar, dona da Ipiranga, caiu 5,40%. As ações da Usiminas lideraram as altas do Ibovespa, com avanço de 1,06%. A Cyrela subiu 1%, enquanto a Taesa ganhou 0,64%.

Os papéis da Petrobras terminaram perto da estabilidade, em dia de queda dos preços do petróleo. As ações mais negociadas da estatal ficaram estáveis em R$ 16,72. As ordinárias, com direito a voto, avançaram 0,17%, para R$ 17,53.

Os preços do petróleo caíram, com os investidores aguardando a próxima reunião da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), em 30 de novembro, quando deve ser acertado o prolongamento dos cortes na produção da commodity para março de 2018.

As ações da Vale tiveram desvalorização, apesar da alta do minério de ferro no exterior. Os papéis ordinários caíram 0,09%, para R$ 32,77. As ações preferenciais perderam 0,23%, para R$ 30,49.

No setor financeiro, as ações do Itaú Unibanco subiram 0,14%. Os papéis preferenciais do Bradesco tiveram alta de 0,09%. As ações ordinárias do banco tiveram valorização de 0,43%. As ações do Banco do Brasil se desvalorizaram 2,98%.

As units, conjunto de ações do Santander Brasil, fecharam com perda de 0,24%.

Fonte Oficial: http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2017/11/economia/595917-apenas-58-dos-fundos-de-acoes-superaram-a-bolsa.html.

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