Jornal do Comércio >> Estado se engaja no Dia Mundial do Enoturismo

A partir do próximo ano, uma série de programações no Brasil e em outros países da América do Sul irá integrar o Dia Mundial do Enoturismo, que também será celebrado por destinos europeus. Na verdade, a data é justamente inspirada no Dia Europeu do Enoturismo, que ocorre no segundo domingo de novembro, com ações realizadas em cidades ligadas à produção vinícola do velho continente. A festividade agora contará com um maior número de lugares participantes, graças à iniciativa realizada pela Rede Europeia de Cidades do Vinho (Recevin) – composta por mais de 800 cidades de 10 diferentes países. A iniciativa é realizada em parceria com a Associação Internacional de Enoturismo (Aenotur), presidida pela gaúcha Ivane Fávero, e apoiada pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin).

No último fim de semana, a Serra e a Campanha lançaram o embrião do Dia Mundial do Enoturismo, com quatro atividades que entrarão na agenda do Dia Europeu do Enoturismo: em Bento Gonçalves, ocorreu a Sparkling Night Run, realizada na noite de sábado, véspera da data oficial da Europa. Festa fitness para competidores, com corrida noturna em meio a ruas, praças e monumentos da cidade, a Sparkling é uma ação que atrai visitantes de outras regiões e estados e já está na quarta edição, unindo turismo, gastronomia, entretenimento e saúde. Nela, os atletas vão bebendo espumante ao longo do percurso da prova.

A estimativa é de que cerca de 600 competidores tenham participado, fora o público que acompanhou a prova e aproveitou para se divertir. Aberto a quem quisesse participar, o evento promoveu, em paralelo, um “mini-tour gastronômico” por seis food trucks, com variadas opções de massas e com wine bar das vinícolas Salton, Aurora e Nova Aliança.

Na mesma noite, um brinde comemorativo com espumante brut chardonnay, elaborado pelo método tradicional (fermentação dentro da própria garrafa), foi promovido na vinícola Casa Venturini, localizada em São Gotardo (entre Caxias do Sul e Flores da Cunha). Neste caso, o evento foi fechado para um grupo de 31 visitantes paulistas.

O diretor e enólogo da vinícola, José Venturini, destaca que o município de Flores da Cunha está começando a explorar o segmento de enoturismo. “Mas já está muito forte – temos um grupo de 11 vinícolas organizadas (em um universo de mais de 100 pequenas, médias e grandes empresas), que tem recebido o pessoal que vai para Gramado e Bento Gonçalves, e depois nos visita.” Durante o evento de sábado, a equipe que recebeu os turistas explicou os processos de produção desde o recebimento da uva até o envase. Depois da “aula”, o grupo realizou a degustação e pode comprar os produtos disponíveis.

Contando com produção anual em torno de 5 milhões de litros entre vinhos finos, de mesa e suco de uva, e espumante, a Casa Venturini recebe, atualmente, cerca de 150 pessoas por mês. “Queremos aumentar este fluxo e acreditamos que vai crescer muito. Hoje, o consumidor tem muita curiosidade para aprender sobre vinhos e espumantes, principalmente aqueles que viajam o mundo inteiro e visitam regiões vitivinícolas lá fora.”

Ainda no município de Flores da Cunha, a vinícola Panizzon aproveitou a data do pré-lançamento do Dia Mundial do Enoturismo para realizar venda com promoção de espumantes (no estilo leve seis, pague cinco). Já em Don Pedrito, a Vinhos Aromas e Sabores promoveu um brinde coletivo com espumantes no monumento histórico Caixa D’água.

Maior polo vitivinícola do País, o Rio Grande do Sul recebe pelo menos 600 mil turistas circulando anualmente pela Serra e pela Campanha em busca das atrações que o universo da uva e do vinho proporciona. “Com essas ações criadas aqui, esperamos mobilizar mais participantes a partir do próximo ano”, comenta a presidente da Aenotur, Ivane Fávero, acrescentando que o Uruguai e a Argentina também realizaram ações no último domingo e, da mesma forma que o Brasil, deverão encorpar as celebrações de 2018. “Nosso objetivo é disseminar o segmento como um dos fortes do setor de turismo, dentro dos países que integram a ação”, explica a dirigente. “Para o Brasil, isso é muito importante, pois temos muitos turistas nacionais e internacionais que desconhecem a oferta de enoturismo no País.” Ivane destaca que, ao se integrar à data, o Brasil ganha visibilidade, mas pondera que ainda são poucas as iniciativas planejadas para o primeiro ano. “Mas esperamos que, divulgando mais a data, e com maior participação das cidades, o enoturismo se torne tão forte no Brasil como já aconteceu no Uruguai.”

“O Ministério do Turismo (MTur) tem apresentado várias possibilidades de integração do enoturismo com a gastronomia gourmet, a hotelaria de charme e produtos indiretos, como observação da natureza, cultura e religião”, destacou o coordenador-geral de Atração de Investimentos da pasta, Rodrigo Marques, durante a primeira audiência pública sobre a atividade realizada na Comissão de Turismo da Câmara Federal, no mês de outubro. Segundo o gestor, o segmento de enoturismo oferece um leque de produtos e responde cada vez mais pela receita das vinícolas, principalmente quando agregado a outros produtos. “O Brasil possui grande vantagem comparativa nisso”, observou Marques. Durante a audiência, foram debatidas as demandas, os entraves e as possibilidades de desenvolvimento do segmento no Brasil.

Presente na audiência, Ivane defendeu que o MTur reconheça o enoturismo como uma das modalidades nacionais de relevância, tendo em vista que o Brasil tem ganhado destaque internacional na produção de vinhos, sendo o quinto maior produtor do Hemisfério Sul. Ela também solicitou apoio para a realização de pesquisas e monitoramento para a geração de dados sistematizados, embasando, assim, políticas públicas e estratégias do próprio setor. Outro pleito apresentado foi a inserção do enoturismo nas ações de promoção da pasta, tanto no mercado interno como no exterior, realizadas pela Embratur. “Temos uma série de vinícolas que oferecem uma experiência diferenciada, infraestrutura hoteleira, e somos tão bons no receptivo de enoturismo quanto outros destinos no mundo”, observa Ivane. A dirigente destaca que o segmento inclui, além da degustação, a identidade das regiões, com paisagens singulares, culturas diferenciadas e, principalmente, qualidade de vida. “A cultura do vinho e a ideia de aproveitar o tempo através da prática do slow food, são atrativos da oferta enoturística, que inclui, além das vinícolas, toda uma cadeia, desde hotéis e restaurantes até as operadoras de turismo.”

Fonte Oficial: http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2017/11/economia/595813-estado-se-engaja-no-dia-mundial-do-enoturismo.html.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!