Jornal do Comércio >> Desemprego é maior e cresce mais entre negros na RMPA

Há um desemprego para negros e outro para não negros na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA). O balanço dos dados do mercado de trabalho na região em 2016 mostra que a taxa de desocupação foi maior e cresceu mais rápido nesta população do que entre os não negros, conforme a Fundação de Economia e Estatística (FEE), que divulga, junto com Dieese e FGTAS, o relatório com o panorama do setor para marcar o 20 de novembro, Dia da Consciência Negra.

A Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED-RMPA) registra que 16,1% dos negros na População Economicamente Ativa (PEC) ficaram sem trabalho no ano passado, frente a 12,6% de 2015, alta de 28%. O avanço foi de 3,5 pontos percentuais.

Enquanto isso, a taxa para não negros ficou em 9,9% no ano passado, ante 8,1% do ano anterior – aumento de 22,2% na taxa, ou de 1,8 ponto percentual. A elevação do indicador entre os negros, que representam quase 12% da PEA, foi quadro o dobro em pontos percentuais do que os demais contingentes da mão de obra.

A economista e supervisora do Centro de Pesquisa de Emprego e Desemprego da FEE, Iracema Castelo Branco, atesta que a intensidade do crescimento do desemprego foi maior entre os negros em comparação aos não negros. “O que revela que a crise econômica foi relativamente mais severa para esta parcela da população”, associa Iracema. 

A pesquisa mostra ainda que nível ocupacional de mulheres negras recuou mais no trabalho assalariado com carteira assinada no setor privado e no serviço público, enquanto oshomens negros apresentam reduziram ocupação com carteira no ramo privado e também no serviço público.

Já no tempo dedicado ao trabalho, o número médio de horas semanais trabalhadas manteve-se estável para os negros (41 horas) e aumentou em 1 hora para os não negros (de 41 para 42 horas) entre 2015 e 2016. Outro dado que isto entre as duas dimensões é que a proporção de negros ocupados que contribuía para a Previdência Social recuo de 82,6% em 2015 para 77,5%, enão negros registaram queda bem menor, de84,6% para 83,8%. “Essedadoindica uma inserção mais precária da população negra no mercado de trabalho”, alerta Virginia Donoso, do Dieese.

No rendimento médio real, tanto negros como não negros tiveram perdas, e o primeiro grupo continuaaganhar menos. Em valores monetários, o rendimento médio real caiu de R$ 1.652,00 para R$ 1.485,00 para os negros, e de R$ 2.203,00 para R$ 2.025,00 para os não negros.Os homens negros tiveram queda de 14,1% nos ganhos, já asmulheres negras (-3,4%). “Esse fenômeno tem relação com o fato de as mulheres negras já ganharem perto do rendimento mínimo”, pondera Iracema. Neste quesito, a população não negra teve redução mais acentuada para as mulheres (-8,2%) do que para os homens (-7,7%).

Na divulgação feita na manhã dessa terça-feira, entidades que integram a PED e sindicato ligados ao segmento dos servidores manifestaram preocupação com o futuro dos estudos e formação dos indicadores com a extinção da FEE, prevista em lei estadual, atendendo à aprovação pela Assembleia Legislativa.

Mais conclusões do boletim confrontando dados de 2015 e 2016:

Desemprego:

  • Mulheres: negras de 12,8%, a 16,6%. Não negras: 8,5% a 10,4%.
  • Homens: negros de 12,4% para 15,5%. Não negros: 7,8% para 9,6%.

Ocupação:

  • Negros: cai de 47,6% a 44,3%.
  • Não negros: recua de 50,3% a 47,9%.

Como foi a ocupação por setores:

  • Indústria de transformação: menos 8 mil ocupados, ou -29,6%
  • Construção: menos 4 mil ocupados, ou -18,2
  • Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas: menos 5 mil ocupados, ou -12,8%.
  • Serviços: menos 23 mil ocupados, ou -16,7%. 

Fonte Oficial: http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2017/11/economia/596406-desemprego-e-maior-e-cresce-mais-entre-negros-na-rmpa.html.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!