Jornal do Comércio >> Corretoras e gestoras apostam no uso de robôs para atrair investidores

Corretoras e gestoras têm apostado em robôs e algoritmos para tornar o ato de investir mais simples e barato. Elas estão de olho, sobretudo, nos pequenos investidores, muitos deles acostumados à poupança, que pensam em diversificar suas aplicações em um cenário de taxa de juros em queda.

Além de facilitar o acesso ao investidor e capturar um público mais jovem, as corretoras se beneficiam dos custos menores que essas plataformas propiciam. Sem uma estrutura física, conseguem oferecer taxas mais competitivas que os grandes bancos, que concentram a maior parte dos investimentos no País.

O investimento que usa robôs replica procedimentos de uma aplicação tradicional. No site das gestoras, o cliente responde a perguntas e, a partir disso, algoritmos calculam as estratégias de acordo com o perfil e os prazos estabelecidos pelo investidor para seus objetivos.

Para Ricardo Rocha, professor de finanças do Insper, os robôs estão democratizando a gestão de investimentos. “Antes, esse era um serviço para grandes fortunas. Agora, outras pessoas começam a ter acesso a técnicas mais consistentes de gestão do portfólio”, afirma.

Outra vantagem, para o planejador financeiro Cléber Américo, seria não identificar a volatilidade política e econômica brasileira, eliminando o “fator emocional”. “O programa faz a ordem programada para obter o objetivo. O ser humano, às vezes, sai da aplicação por medo, sem atingir o que queria. Depois, o mercado se recupera, e a pessoa fica frustrada.”

O distanciamento emocional dos robôs é visto com ressalvas. O caso JBS é citado como exemplo. Em 18 de maio, um dia após o vazamento da notícia da delação de Joesley Batista, o Ibovespa desabou 8,8%. Um robô poderia ter previsto isso? “Ele consegue analisar dados estatísticos do passado a seu favor, mas, de fato, a capacidade humana de entender cenários e projetar é algo que os robôs ainda não fazem e é chave para a transformação da indústria”, diz Pedro Boesel, chefe comercial da Rico Investimentos.

Para Tito Gusmão, da gestora Warren, é possível aprimorar os algoritmos para enfrentar situações adversas. “Damos ‘choques de estresse’ no portfólio, com bolsa caindo, juros subindo. Conforme vai mostrando fragilidades, ajustamos”, afirmou.

Para Américo, sem o fator humano, o robô não faz milagre. “Não dá para achar que vai colocar todos os recursos nesse sistema, esquecer o dinheiro por cinco anos e ficar milionário. O programa é útil, mas o poupador tem que ter claro o objetivo.”

Fonte Oficial: http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2017/11/economia/597050-corretoras-e-gestoras-apostam-no-uso-de-robos-para-atrair-investidores.html.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!