Valor >> Cautela com política inibe avanço do real

SÃO PAULO  –  A cautela com a cena política afeta o câmbio doméstico, acentuando os movimentos defensivos vindos do exterior. A moeda brasileira volta a operar perto da estabilidade no começo da tarde desta quinta-feira (23). Nesta manhã, quando piorava o sinal entre os emergentes, o real chegou a ter o segundo pior desempenho entre as principais divisas globais, melhor apenas que o rand sul-africano.

Na máxima, o dólar comercial subiu até R$ 3,2425, tendo se acomodado em seguida. Por volta das 13h30, a moeda era cotada a R$ 3,2306, ligeira alta de 0,22% em relação à véspera, em um dia de liquidez reduzida por causa do feriado nos EUA. No horário, o contrato futuro de dezembro caía 0,09%, a R$ 3,2365.

Para Roberto Serra, sócio e gestor da Absolute Investimentos, o exterior ainda prevalece sobre a movimentação do real. No entanto, a cena local é aquela que define a intensidade do movimento. Desta vez, o comportamento dos ativos indica que há uma interpretação negativa sobre o ambiente brasileiro. “O real tem acompanhado outros emergentes, o local define mais a magnitude”, diz Serra.

O apoio parlamentar ao governo e à reforma da Previdência ainda é ponto de incerteza. Serra aponta que a expectativa de aprovação ainda é baixa, embora tenho melhorado nas últimas semanas. Por isso, há espaço para melhora no ambiente de negócios, que pode se refletir no preços dos ativos.

O caminho ainda parece longo no sentido de convencer a classe política da urgência da reforma, diz o economista-chefe do Rabobank Brasil, Maurício Oreng. Ele destaca que a resistência ocorre diante da proximidade do processo eleitoral do ano que vem.

Na leitura de Oreng, haveria uma probabilidade de 20% a 30% de aprovação de mudanças constitucionais na previdência antes das eleições. “Por um lado, temos convicção de que os ativos brasileiros, que não parecem de forma alguma contar com cenários extremos quanto à solvência fiscal a médio e longo prazos, apreçam 100% de chance de uma bem-sucedida transição (ou consolidação) fiscal a médio prazo, o que passa por uma ampla reforma previdenciária”, diz o especialista.

Juros

A despeito do ambiente mais defensivo em boa parte dos mercados brasileiros, os juros futuros de curto prazo se destacam hoje pelo seu comportamento positivo. As taxas operam em baixa desde o início da sessão, amparadas por novos sinais de inflação contida no país.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2019  que reflete apostas para atual ciclo de corte de juros – caiu até a mínima no dia de 7,120%. Dentre todos os vencimentos, a baixa nesse trecho era a mais acentuada, contrastando com a alta em juros longos. Por volta das 13h30, era marcada taxa de 7,130%, ante 7,190% no ajuste anterior.

O catalisador do movimento veio com o IPCA-15 de novembro. A prévia da inflação oficial do mês desacelerou para 0,32% no mês, ficando abaixo da expectativa de que subiria para 0,40%. “O resultado do IPCA-15 foi um pouco mais baixo que o esperado, com fatores qualitativos positivos e fraqueza nos preços de serviços, permitindo a queda na parte curta da curva”, diz o trader de renda fixa Matheus Gallina, da Quantitas.

Apesar de pouco acentuada, a alta dos juros longos hoje demonstra um sentimento marginalmente pior sobre o apoio parlamentar à reforma da Previdência. 

No horário, o DI janeiro/2021 era negociado a 9,220% (9,250% no ajuste anterior). Nos vencimentos mais longos, o DI janeiro/2023 caía a 10,020% (10,030% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 marca 10,380% (igual marca do ajuste anterior).

Bolsa

A falta de liquidez do mercado local, com a ausência dos negócios nas bolsas americanas hoje pelo feriado do Dia de Ação de Graças, leva o Ibovespa a seguir nesta tarde no campo negativo e buscar uma acomodação entre os 73 mil e os 74 mil pontos.

Às 13h39, o principal índice da bolsa recuava 0,74%, aos 73.921 pontos, depois de tocar a mínima intradia em 73.969 pontos.

A falta de um movimento no exterior que dê rumo ao Ibovespa leva investidores a darem mais ênfase ao noticiário político local recente, que ainda inspira alguma cautela.

Entre as maiores valorizações do horário estão Copel PNB PN1 (2,05%), CSN ON (1,51%) e Smiles ON (1,36%). Rumo ON (-2,02%) Ecorodovias ON (-1,97%) e Americanas PN (-1,86%) lideram as baixas do horário.

Fonte Oficial: http://www.valor.com.br/financas/5203939/cautela-com-politica-inibe-avanco-do-real.

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