Aplicar no exterior ganha apelo e pode ser acessível ao pequeno investidor – Jornal do Comércio

Para diversificar a carteira e se proteger da instabilidade do mercado brasileiro, muitos investidores têm voltado os olhos para o mercado externo. O que muitos desconhecem é que não é preciso enfrentar a burocracia e os altos custos de se criar uma conta em uma instituição estrangeira ou fazer remessas internacionais para colocar o pé lá fora. Com R$ 200 já é possível começar a assumir posições nos mercados de outros países. Para o pequeno investidor, porém, o cardápio de produtos ainda é restrito – e exige cautela.

O saldo de investimentos em carteira no exterior, que era de R$ 31,3 bilhões no fim de 2016, chegou a R$ 40 bilhões até outubro, segundo dados do Banco Central. A professora de finanças do Insper Juliana Inhasz explica que o avanço ocorre por causa do cenário ainda incerto da economia brasileira. “Com o endividamento do País e a taxa de juros em queda, os investimentos lá fora passam a ficar atraentes.”

A B3, bolsa de valores de São Paulo, oferece duas opções de produtos ao pequeno investidor que tem apetite externo: recibos de ações de companhias estrangeiras listados na B3, os chamados BDRs (Brazilian Depositary Receipts), e os ETFs, fundos negociados em bolsa que replicam índices.

Atualmente, são negociados na B3 recibos de 122 empresas. Mas, para adquirir a maioria deles, como os desejados Google, Facebook e Coca-Cola, é preciso ser investidor qualificado, ou seja, ter ao menos R$ 1 milhão em aplicações financeiras.

O pequeno investidor, porém, tem acesso por meio de uma corretora aos BDRs patrocinados – cujas companhias escolheram lançar os papéis aqui e, portanto, fizeram pedido de registro na B3 e na CVM. Atualmente, são 12 opções disponíveis, entre elas Cosan, Dufry e Wilson Sons. Os preços são acessíveis, similares aos de ações convencionais.

Outra opção é comprar cotas de um ETF estrangeiro, como o S&P 500, que tenta replicar o desempenho das 500 empresas mais relevantes dos Estados Unidos. A cota do iShares S&P 500 (IVVB11), que em 22 de novembro tinha um rendimento anual de 15,96%, está na faixa dos R$ 88, e o lote mínimo é de dez cotas.

Apesar do apelo e do custo acessível, especialistas ponderam que esses produtos são mais recomendados para o longo prazo. Os BDRs, por exemplo, têm baixa liquidez. Além disso, o investidor precisará acompanhar mais a fundo o mercado externo. “Se já é difícil acompanhar o nosso mercado, estamos falando de outra economia, outras empresas, outro cenário”, destaca o superintendente da Bradesco Asset Management (Bram), Luís Guedes.

O investidor também precisa ficar atento à exposição cambial, observa Juliana. Além da volatilidade dos ativos, também poderá estar exposto à variação do dólar. Isso quer dizer que, se o ativo se valorizar, mas o dólar cair, parte do ganho será corroído.

Para mitigar o risco e não apostar em apenas uma empresa, o investidor pode recorrer aos fundos de investimento especializados em BDRs. O Bradesco foi o primeiro a lançar esse produto, no ano passado. O aporte mínimo é de R$ 10 mil, e a taxa de administração é de 2,5% ao ano. O retorno do fundo foi de 12,36% nos últimos 12 meses.

Para quem é investidor qualificado, há mais opções disponíveis, sobretudo fundos com mais de 67% da carteira em ativos estrangeiros. No fundo Bradesco Prime Global IE, o investidor pulveriza seu dinheiro em ativos dos EUA, Japão, Europa e países emergentes. O aporte inicial é de R$ 10 mil, e a taxa de administração é de 2,5% ao ano. No Itaú, há opções para quem dispõe de pelo menos R$ 50 mil.

Em outubro, a gestora Geo Capital, que investe 100% em ações estrangeiras, lançou o fundo Geo Empresas Globais, com aporte mínimo de R$ 25 mil e taxa de 2% ao ano, além de uma cobrança por performance. “O Brasil representa 3% do PIB global. Investir em empresas que fazem parte dos outros 97% ajuda a diversificar”, diz Oliver Mizne, um dos fundadores da gestora.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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