Argentina além de Buenos Aires e Bariloche – Jornal do Comércio

Turismo


Notícia da edição impressa de 04/12/2017.
Alterada em 03/12 às 22h00min

Argentina além de Buenos Aires e Bariloche

La Rioja , localizada a 1.167 quilômetros de Buenos Aires, concentra uma extensa faixa vinícola entre as serras do Vale do Famatina e de Velasco

/MINISTERIO DE TURISMO DE LA NACIÓN/DIVULGAÇÃO/JC

Adriana Lampert

Para além da variedade de atrativos gastronômicos, culturais e noturnos que a capital Buenos Aires oferece – e das paisagens espetaculares de Bariloche, na província de Río Negro, junto à Cordilheira dos Andes – há muito mais para ser desfrutado em solo argentino. Da série de alternativas, um dos destaques está no segmento de enoturismo, pouco conhecido pela maioria dos visitantes brasileiros que chega ao país vizinho.

Entre os “caminhos do vinho” argentino destacam-se a Rota do Vinho de La Rioja (localizada a 1.167 quilômetros de Buenos Aires), cuja principal faixa vitivinícola está situada entre as serras do Vale do Famatina e de Velasco. “No departamento de Chilecito, concentra-se 70% da produção do Estado”, informa o coordenador de imprensa do Instituto Nacional de Promoção Turística (Inprotur) da Argentina, Nicolás Fresco. A bebida característica e identificada da região é o Torrontês Riojano. “Próximo dali, o turista encontra os muros de rocha avermelhada do Parque Nacional Talampaya (patrimônio da humanidade), que, no passado, foi vale de dinossauros e, posteriormente, ocupado por povos originários.”

A província toda “é um lugar cheio de encanto e um destino propício para a aventura. “As cavalgadas no marco da Cordilheira dos Andes e a visita a seus formosos ecossistemas como a Lagoa Brava (rodeada de vulcões nevados), onde residem os flamingos rosados, são passeios imperdíveis”, sugere Fresco. Tanto para o Norte, quanto para o Sul da capital do estado, da costa de serra até as planícies, a proposta turística se amplia com a visita a povoados cheios de história e lugares arqueológicos.

La Rioja fica situada a 580 km de Mendoza – a província de Mendoza responde por 80% da produção vitivinícola do país -, no Oeste argentino e nas bordas da Cordilheira dos Andes. “É um importante polo de produção de vinho e azeite, além de ser dos mais importantes pontos turísticos da Argentina”, destaca o diretor de Marketing da Personal Operadora, Augusto Yanes Leite. Segundo ele, quando se fala em roteiros de enoturismo, esse é o principal destino dos visitantes brasileiros.

“Anualmente, entidades gaúchas vinculadas à produção e amantes do vinho solicitam pacotes para Mendoza – uma região maravilhosa, com campos, casas antigas, e vinícolas que funcionam também como hotéis”, observa Leite. O gestor da Personal pondera que a demanda por enoturismo ainda é um nicho pequeno. “A maioria das pessoas que vão para a Argentina ainda opta por Buenos Aires, devido à gama de vinícolas representadas no varejo”, explica o sócio-diretor da Sepean Operadora, Bruno Dambros. “A capital argentina tem mais variedade, une tudo num lugar só”, justifica. “Mas quando o assunto é especificamente vinho, outras cidades, como Salta e Cafayate, ambas localizadas mais ao Norte, têm um destaque significativo, principalmente por possuírem vinhos com características muito próprias, com destaque para o Malbec.” Segundo Fresco, o país é reconhecido como o produtor dos “mais refinados Malbecs”, sendo que os de Mendoza são considerados os melhores do mundo.

Perto dali, as províncias de Córdoba e Salta também integram os “caminhos do vinho” argentino. A chegada pode ser pelo aeroporto de La Rioja, que recebe voos diretos de Buenos Aires (situada a pouco mais de 1 mil quilômetros). “Salta é muito lembrada por seus vinhos de altura, tem os vinhedos mais elevados do mundo”, comenta Nicolás Fresco, informando que os parreiras ficam de 1.7 mil a 3 mil metros sobre o nível do mar. A rota vitivinícola, que inclui as adegas, a gastronomia andina, a hotelaria boutique e a vinhoterapia, é claro fundamento para não se perder a visita à província de Salta.

Programa Brazilian Friendly pretende atrair maior número de visitantes

Destinos como Bariloche receberam 50% mais brasileiros em 2016

Destinos como Bariloche receberam 50% mais brasileiros em 2016

/FRANCISCO RAMOS MEJIA/AFP/JC

Mais de 650 mil brasileiros desembarcaram na Argentina nos primeiros oito meses de 2017 – um crescimento de 19,7% por via aérea e de 5,4% na rota terrestre -, a maioria em busca de entretenimento e vida cultural na capital, ou de atrativos naturais, como a neve presente na Cordilheira dos Andes, fronteira com o Chile. O volume de visitantes representa 17% do total de estrangeiros em viagem pela Argentina durante todo ano e torna o Brasil, segundo dados do Ministerio del Turismo de la Nacion, o segundo mercado turístico daquele país em chegadas e o primeiro em termo de gastos.

Não à toa, o principal órgão de turismo da Argentina lançou o programa Brazilian Friendly em parceria com a Aeropuertos Argentina 2000 (AA2000), empresa responsável pela administração dos principais aeroportos do país. A iniciativa inclui uma série de ações para melhorar a recepção e atenção dos turistas provenientes do Brasil. “Esta nova Argentina constrói pontes que sublinham uma das contribuições do turismo: sua capacidade de consolidar a amizade entre os povos. Queremos qualificar a atenção aos irmãos brasileiros”, afirmou o ministro do Turismo daquele país, Gustavo Santos, durante a apresentação do programa, na Feira Internacional de Turismo da América Latina (FIT), em novembro deste ano.

Entre as ações do Brazilian Friendly estão a implementação de placas de sinalização em português nos aeroportos; treinamento de profissionais para atender aos turistas brasileiros no idioma de origem; possibilidade de pagamento de taxas e outros serviços em reais, distribuição de mapas informativos em português; campanhas com foco em boas vindas aos turistas; cartão exclusivo de descontos e benefícios nas instalações comerciais do aeroporto (incluindo varejo, gastronomia, serviços de passageiros e transporte), que pode ser obtido através de um aplicativo AA2000, entre outras.

De acordo com a assessoria de imprensa da CVC Turismo, a Argentina é um dos destinos mais vendidos na operadora. Em 2016, a CVC enviou 30% a mais de passageiros para o país vizinho se comparado a 2015. Os principais destinos da CVC na Argentina são: Buenos Aires, Bariloche, Ushuaia, El Calafate e Mendoza. Conforme a empresa, é preciso sempre um esforço para promover os destinos argentinos para além da capital Buenos Aires. Dados da assessoria mostram que a procura por Bariloche, por exemplo, cresceu 59% em passageiros em 2016 comparado a 2015 e se acirrou na temporada deste ano com o incremento das companhias aéreas e preços competitivos.

 

Vitivinicultura é reconhecida internacionalmente

Na região de Cafayate, há oferta de visitas guiadas e hospedagem

Na região de Cafayate, há oferta de visitas guiadas e hospedagem

/MINISTERIO DE TURISMO DE LA NACIÓN/DIVULGAÇÃO/JC

Dentre as cidades argentinas com maior tradição vitivinícola, Salta fica em uma região de riquezas naturais, histórica e cultural: os Vales Calchaquíes, com vinhedos espalhados em mais de 3,2 mil hectares entre os departamentos de Cafayate, San Carlos, Angastaco, Molinos e Cachi. “A indústria vitivinícola dos Calchaquíes tem 400 anos e é reconhecida no mercado internacional pela qualidade de seu produto, que resulta das boas condições da terra e da inovação tecnológica aplicada”, destaca o coordenador de imprensa do Inprotur, Nicolás Fresco.

Os turistas que passarem pela terra que também é produtora do Torrontés (variedade de uva branca), encontrarão a Rota do Vinho de Altura, que reúne fazendas, vinhedos e bodegas (industrializadas, de boutique e artesanais), além do Museu da Vida e do Vinho, no centro de Cafayate, criado para promover o conhecimento da cultura vitivinícola e exaltar os sentidos do visitante. Na região, há oferta de visitas guiadas e de hospedagem. “É um bom lugar para se conhecer a gastronomia regional e atividades relacionadas com o ecoturismo, o turismo cultural e o turismo ativo”, completa Fresco. Localizados no Sudoeste do estado, a pouco mais de 180 km da cidade de Salta, estão os vinhedos de Cafayate, que são privilegiados pelo clima, com sol e amplitude térmica durante o dia e a noite. “Isso favorece o metabolismo dos aromas e o desenvolvimento do caráter dos varietais”, explica o gestor do Inprotur.

Para viajar de Salta até Cafayate, o turista pode alugar um veículo particular. A rota pela Rodovia Nacional 68 tem um percurso de 183 quilômetros, o que também pode ser feito por ônibus. “Chegar até Cafayate, percorrer o povoado e suas imediações demora um dia inteiro. É possível contratar excursões para percorrer as diferentes atrações, realizar cavalgadas ou alugar bicicletas.” No caminho, ainda pode-se contemplar a paisagem da Reserva Natural Provincial Quebrada das Conchas, com formações rochosas que lembram figuras de animais e humanas. O “cartão postal” inclui ainda castelos avermelhados, um anfiteatro natural e a Garganta do Diabo – uma parede circular de 50 metros de altura. Próxima de um vale coberto de videiras, Cafayate recebe milhares de turistas o ano todo, principalmente pela fama de seus vinhos, mas também pela contemplação da natureza.

O sócio-diretor da Sepean Operadora, Bruno Dambros, comenta que, atualmente, “a demanda da maioria dos destinos de enoturismo da Argentina ainda não é alta, mas existe”. Segundo o gestor, o público que explora estes lugares, “normalmente não os tem como primeira opção”. “Na maioria das vezes, ou são pessoas que já foram a Mendoza, ou são turistas que conjugam destinos, como Mendoza-Córdoba-Salta, por exemplo.”

Hotelaria para todos os perfis de turistas

Quanto ao acesso, independentemente se é para Norte ou Sul da Argentina, a melhor forma de chegar ao país vizinho é com a Aerolineas Argentinas, principal companhia aérea, e que possui a maior frequência de voos para o destino, informa o sócio-diretor da Sepean, Bruno Dambros. “No que se refere à hotelaria, há para todo o tipo de perfil, desde das pousadas mais simples até os hotéis com maiores estruturas”, destaca.

Quanto a preços, os valores variam de cidade para cidade. Para se ter uma ideia, um pacote para Salta-Cafayate, com sete dias de duração, incluindo passagens aérea, traslados de chegada e saída em ambas cidades, hospedagem, e um tour de vinho em cada destino, o turista gasta aproximadamente R$ 4 mil (por pessoa) mais taxas de embarque. “Um ponto interessante é que, independentemente da região, a Argentina é um lindo país, com diversos atrativos para todas as de idades”, avalia Dambros. “Além do enoturismo, em Salta é possível fazer a rota do trem mais alto do mundo.”


Seja o primeiro a comentar esta notícia

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!