Preço do aluguel cai em Porto Alegre – Jornal do Comércio

A queda no preço dos aluguéis com aniversário na segunda metade do ano, somada ao grande estoque de imóveis, colocou o mercado imobiliário em situação de alerta. Por um lado, proprietários com imóveis alugados com base no IGP-M ficaram sem acréscimo em suas rendas, enquanto inquilinos comemoraram a ausência do reajuste. O IGP-M, índice que baliza os reajustes dos aluguéis, teve deflação de 0,87% nos últimos 12 meses até novembro.

Para Leandro Hilbk, vice-presidente de locação do Secovi-RS, sindicato das empresas do setor, o fenômeno pode ser positivo tanto para inquilinos quanto para proprietários. “Em um contexto de adversidade econômica, a estabilidade do preço garante a permanência do imóvel sob locação”, argumenta, ao lembrar que o grande número de apartamentos ofertados impulsiona uma queda nos preços de novos contratos para baixo.

Pela pesquisa do mercado imobiliário realizada pelo Secovi-RS, os aluguéis residenciais ofertados para locação em outubro tiveram queda de 0,72% no preço médio em relação ao mês anterior, motivados pela oferta de 7,3 mil unidades na Capital – acréscimo de 0,86% no número de imóveis também na comparação com o mês passado. “O mercado está crescendo em oferta, assim a pressão sobre o preço é de baixa, e isso é uma condição favorável para oportunizarmos uma troca de unidades”, comenta.

O estoque de imóveis residenciais ofertados para aluguel aumentou 135% nos últimos cinco anos. Segundo Hilbk, porém, a crise econômica não é a única influenciadora do crescimento no número de apartamentos em oferta. “Uma conjuntura não tão favorável tem o seu viés de crescimento no número de apartamentos vagos, por outro lado aqueles que sabem que os imóveis são bons investimentos continuam aplicando nesses bens”, alega, ao lembrar que a variação dos 100 meses anteriores a outubro no preço da locação por metro quadrado foi de 74,79%, superior aos 59,58% da variação do índice.

Mesmo assim, a mesma comparação feita nos 100 meses anteriores a outubro de 2016 registrava uma diferença ainda mais significativa nas variações, quando o índice marcou variação de 64,38% ante um metro quadrado de 97,07%. “Este encurtamento, sim, pode ser interpretado como um sinal da crise, mas tenho certeza que em outubro de 2018 já teremos uma retomada”, avalia Hilbk.

Apesar de o IGP-M ser o índice majoritário no reajuste dos aluguéis, diz Hilbk, outros cinco são possíveis: INCC-M, IPC/Fipe, IPC/Iepe, INPC e IPCA. Destes, apenas o IGP-M teve o acumulado negativo. Mesmo assim, o representante do Secovi-rs avalia que não há necessidade de substituir o índice no aniversário do contrato. “Considerando um período um pouco maior, de quatro ou cinco anos, os índices acabam empatando”, afirma.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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