Entidades setoriais e de pesquisa lamentam extinção da Cientec – Jornal do Comércio

A extinção da Fundação de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (Cientec) gera preocupação em entidades gaúchas e nacionais dos setores de eletroeletrônica e desenvolvimento tecnológico. Reportagem do Jornal do Comércio mostrou que testes e análises de laboratórios especializados da fundação foram suspensos, prejudicando empresas gaúchas que precisam de certificações e aval para novos produtos e tecnologias. Muitas terão de contratar serviços fora do Estado por custo bem maior ou poderão ter comprometido desenvolvimento de projetos que tiveram investimento, afirmaram as empresas.
A carteira tinha pedidos até fevereiro. De janeiro a outubro de 2017, cerca de 1,4 mil clientes foram atendidos e 33 mil serviços foram prestados pela entidade. A Cientec foi uma das seis fundações que tiveram a extinção aprovada pela Assembleia Legislativa em fim de 2016, oficializada em lei em janeiro deste ano. A extinção da fundação é parte do pacote do governo para redução de gastos e reestruturação da máquina pública do Estado. O grupo do governo que assessora a transição dos órgãos já apontou que buscará soluções com o setor privado.

O presidente da Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica (Abipti), da qual a Cientec é sócia-fundadora, o engenheiro Júlio Cesar Félix, defende que o governo estadual repense o fim da  instituição. “Acredito que uma boa força-tarefa de recuperação, adequando a empresa às necessidades do mercado e organizando um novo modelo de gestão, seria oportuno”, aponta Félix.

A organização chegou a enviar ofício ao  governador José Ivo Sartori (PMDB) solicitando que reconsiderasse a extinção da estatal. “Todo o desenvolvimento de um estado está baseado na ciência, tecnologia e inovação”, justifica o presidente da Abipti. O dirigente disse que a entidade está à disposição para cooperar uma possível mudança de paradigma da Cientec.

Já diretor da seccional gaúcha da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee-RS), Régis Sell Haubert, aponta que a saída da fundação gaúcha do mercado abre uma lacuna no atendimento a novas áreas de atuação do segmentos. “Com o crescimento da internet das coisas, tudo precisa ter ensaios para compatibilidade eletromagnética”, explica o diretor da Abinee-RS, referindo-se a um dos serviços prestados pela fundação.

Os equipamentos que compõem os 25 laboratórios são vinculados a projetos, com maior volume de recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), ligada ao governo federal. O Ministério Público Estadual instaurou inquérito para apurar os prejuízos com a extinção. O foco é a possível repercussão financeira da exclusão da entidade de convênios em andamento, inclusive com a Finep. 

Haubert diz que a Abinee compreende as dificuldades econômicas enfrentadas pelo governo, e que chegou a procurar laboratórios locais que poderiam oferecer o serviço. O empecilho, de acordo com o representante da entidade setorial, seria o alto investimento que a iniciativa privada teria de fazer para incorporar os testes, avaliado entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões.

A reação à extinção também veio do front de organizações e ambientes ligados à inovação. A Rede Gaúcha de Incubadoras de Empresas e Parques Tecnológicos (Reginp) também já se manifestou publicamente. Em carta entregue no início do ano ao presidente da fundação, Marc Richter, a entidade destacou as contribuições da Incubadora Tecnológica da Cientec (IT Cientec) para a sociedade gaúcha e para a própria Reginp.

“O seu pioneirismo serviu, e serve até hoje, de apoio à criação de entidades congêneres, principalmente as públicas. A IT Cientec é um ente de grande importância para o sistema de incubação e a sua ausência abriria uma brecha difícil de preencher”, diz o documento assinado pelo presidente da Reginp, Márcio Machado

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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