Ibovespa acompanha vaivém sobre Previdência; dólar opera em queda – Valor

SÃO PAULO  –  A bolsa oscilou ao sabor do noticiário sobre as negociações em torno da reforma da Previdência, que trouxe motivos para ganhos mais intensos durante a manhã. Ainda assim, há ainda bastante incerteza sobre a capacidade do governo aprovar na semana que vem o projeto que muda as regras da aposentadoria — o que, na visão dos agentes, não está no preço e, portanto, teria potencial para levar a bolsa a ganhos ainda mais expressivos, caso venha a ser confirmado.

A informação de que o PMDB deve fechar questão a favor da votação do projeto levou o Ibovespa à máxima no meio da manhã, aos 74.166 pontos. Mais tarde. no entanto, o senador Romero Jucá, presidente do PMDB, negou que tenha agendado reunião para tratar do assunto. Também contribuiu para o tom positivo a afirmação do presidente do PP, Ciro Nogueira, de que vai defender que a bancada feche questão pró-reforma. Mais tarde, o PSD e o DEM emitiram sinais na direção contrária, contribuindo para esfriar os ganhos da bolsa.

Às 13h35, o Ibovespa subia 0,80%, aos 73.673 pontos.

Os papéis de maior liquidez – bancos, Petrobras e Vale – foram os que reagiram mais claramente ao noticiário, o que confirma que o mercado opera hoje muito atento a elementos macro. As ações do setor financeiro chegaram a subir mais de 2% no melhor momento da manhã e, às 12h58, Banco do Brasil ON subia 1,24%, Bradesco ON ganhava 1,04%, Bradesco PN avançava 1%, Itaú tinha alta de 0,88% e Santander tinha valorização de 1,80%.

Vale ON, que um forte giro financeiro nesta manhã (até as 13 horas, foram negociados R$ 452 milhões em ações da empresa, ante R$ 182 milhões de Petrobras PN, o segundo maior giro do dia) chegou a ter alta forte, após o Credit Suisse elevar o preço alvo do ADR da empresa para US$ 15. Mas acabou voltando ao terreno negativo no começo da manhã (-1,09%), num dia de desvalorização do minério de ferro e em meio a uma realização de lucros.

Petrobras também opera em alta (a ação PN subia 0,84% e a PN, +0,50%). Hoje, a petroleira informou que fechou empréstimo de US$ 5 bilhões com o China Development Bank, com vencimento marcado para 2027. E estatal também assinou contrato de fornecimento preferencial de petróleo com a Unipec Asia Company, empresa chinesa da área de distribuição de petróleo e derivados. Serão repassados 100 mil barris de óleo equivalente por dia durante dez anos.

Ainda sobre a Petrobras, o Valor informa hoje que a empresa pode obter mais US$ 5 bilhões com gasoduto do Nordeste. Segundo as jornalistas Carolina Mandl e Vanessa Adachi, pelo menos quatro grupos se articulam para disputar a compra da Nova Transportadora do Nordeste, subsidiária da Petrobras que administra sua rede de gasodutos na região.

As maiores altas do índice ficam com Eletrobras (2,94% a ON e 3,12% a PNB), reflexo direto do aumento da aposta na reforma da Previdência nesta manhã. A leitura do mercado é de que a força política do governo para viabilizar o avanço da reforma é fundamental para que o governo também tenha conquistas no processo de privatização da estatal.

Dólar

O dólar intensificou a queda por aqui após a sinalização de que alguns partidos da base, em especial o PMDB, podem fechar questão a favor da reforma, embora ainda existam ebates sobre isso. A moeda brasileira tem o melhor desempenho do dia entre as principais divisas globais.

O dólar comercial recuou até a mínima de R$ 3,2203, a mais baixa desde a última quarta-feira (29). Agora, a tendência de baixa já dura três sessões consecutivas. Mas, a despeito do alívio, o nível atual ainda enfrenta boa diferença para o patamar de R$ 3,2021 marcado naquela ocasião.

O nível do dólar no curto prazo depende em boa parte do andamento da reforma. Para o estrategista-chefe na Banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno, a cotação pode cair abaixo de R$ 3,20 se a votação inicial na Câmara ocorrer neste ano. Por outro lado, uma postergação para 2018 dificulta a tramitação, com risco de o dólar voltar a operar acima dos R$ 3,30. “No cenário sem reforma, a responsabilidade ficaria toda para o próximo presidente e a incerteza eleitoral ainda é muito elevada”, acrescenta.

O real ainda tem se beneficiado pela busca global por rendimentos elevados e os sinais de recuperação econômica. Em 2018, o Banco Central deve concluir o ciclo de flexibilização monetária, diminuindo a atratividade do carry trade, e os riscos políticos se intensificarão até as eleições de outubro. A expectativa no Societe Generale é de que o dólar subirá gradualmente até R$ 3,45 em setembro de 2018, fechando o ano que vem em R$ 3,40. “O potencial de queda do dólar parece limitado a não ser que haja o risco de um grande movimento de apetite por risco nos ativos de mercados emergentes”, diz Jason Daw, do Societe Generale.

Por volta das 13h35, o dólar comercial era negociado em baixa de 0,49%, a R$ 3,2312.

Ainda hoje, o Banco Central oferta ao mercado US$ 2 bilhões por meio de dois leilões de linha de dólar com compromisso de recompra. O montante total da oferta diz respeito à oferta nova e, até então, o estoque desses contratos no Banco Central estava zerado. As operações são típicas de fim de ano, quando se reduz a liquidez do mercado.

Juros

O vaivém no mercado de juros futuros acompanha o dinamismo do cenário político. As taxas até caíram com mais força durante a manhã em meio a sinais de avanço na articulação do governo a favor da reforma da Previdência. No entanto, as quedas foram zeradas no começo da tarde, indicando a cautela dos investidores com a tramitação da medida ainda em 2017.

O DI janeiro de 2021, por exemplo, operava a 9,220%, ante 9,230% no ajuste anterior. Mais cedo, a taxa recuou até 9,140%. O dólar comercial, por sua vez, caía 0,30%, a R$ 3,2372.

Movimento semelhante é visto na inclinação da curva, que serve de termômetro de risco. A diferença entre o DI janeiro de 2023 e o DI janeiro de 2019 estendia a queda pela terceira sessão seguida mais cedo. Já no começo da tarde operava estável a 3,06 pontos percentuais, igual ao fechamento da véspera.

Entre os vencimentos mais curtos, o DI janeiro/2019 cai a 7,040% (7,060% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2020 cede a 8,310% (8,320% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

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