Ibovespa retorna aos 72 mil pontos, com ceticismo na Previdência – Valor

SÃO PAULO  –  Depois de começar o dia com tom mais positivo, o Ibovespa perdeu força ao longo do dia e inverteu o ritmo perto do fechamento do pregão, cedendo novamente ao ceticismo dos agentes de mercado com a reforma da Previdência e se firmando no patamar dos 72 mil pontos. O principal índice da bolsa fechou em queda de 0,74%, aos 72.546 pontos. O volume negociado foi de R$ 6,2 bilhões.

O Ibovespa vem dando sequência ao movimento de volatilidade do último mês, indo, apenas hoje, dos 74.166 pontos, na máxima do dia, aos 72.319 pontos, na mínima — uma oscilação relevante de 2,55%.

Segundo operadores, o dia começou com uma maior confiança diante das sinalizações de que o PMDB poderia apoiar a pauta e realizar reunião para fechar questão  instrumento usado por partidos políticos para orientar seus parlamentares, a favor ou contra, ao votarem uma proposta em discussão no Congresso  em torno das mudanças nas regras de aposentadorias do Brasil. No fim do dia, porém, voltaram a pesar no mercado indicações negativas sobre o assunto — forçando uma onda de vendas e a piora do desempenho das ações perto do fechamento.

A performance das bolsas de Nova York, com Dow Jones e S&P 500 em baixa e Nasdaq zerando ganhos, também não ajudou os ativos locais de renda variável. A combinação levou papéis como Usiminas PNA (-4,23%, a R$ 8,60), CSN (-3,46%, a R$ 7,26) e Bradespar (-2,90%, a R$ 25,78) a piorar o desempenho. A Vale ON (-2,20%, a R$ 36,02) também colaborou para o dia negativo ao movimentar R$ 948,8 milhões, 15% de todo o giro do Ibovespa e mais do que o dobro da segunda colocada em liquidez, a Petrobras PN (-1,10%, a R$ 15,31).

O índice começou a ampliar perdas após notícia do blog “Radar”, da revista “Veja”, protagonizada pelo líder do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE). Ele admitiu a um deputado que, hoje, não há nem 170 parlamentares dispostos a votar a reforma, número distante dos 308 necessários para que o projeto avance.

“O mercado já vinha perdendo força durante a tarde e essa notícia causou uma nova saída do investidor e uma piora no movimento de ativos que já vinham em baixa”, diz um operador.

Bolsa dividida

A tese de que o mercado de bolsa segue dividido quanto ao tema também se expressa no movimento dos ativos que fazem parte do Ibovespa, com alguns oscilando muito acima do índice, enquanto outros operam com quedas muito mais fortes. No dia, lideraram as altas as ações da Hypermarcas (+3,24%, a R$ 34,76) e também da WEG (+2,81%, a R$ 23,80).

Analistas de mercado também citam que o ambiente é de avaliações mistas pelos investidores, que ponderam o risco de rebaixamento da nota soberana brasileira em caso de não aprovação da reforma da Previdência e as ameaças para o andamento da pauta no Congresso, ao mesmo tempo em que o custo do risco-país cai aos menores níveis em três anos.

“O mercado de bolsa está totalmente atribulado com a questão da Previdência, que trouxe algum otimismo mais recentemente, mas ainda não tem uma definição. Nesse ambiente, é difícil ter uma tendência”, afirma Ari Santos, da H. Commcor.

Fonte Oficial: Valor.

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