Copom corta Selic em 0,5 ponto para 7% ao ano, mínima histórica – Valor

BRASÍLIA  –  (Atualizada às 18h25O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco do Central cortou a taxa básica de juros, a Selic, de 7,5% para 7% ao ano em reunião nesta quarta-feira. Assim, o juro marca uma nova mínima histórica nominal. O menor patamar até então foi 7,25% visto em outubro de 2012. O movimento ficou em linha com o esperado pelos analistas econômicos.

A decisão foi unânime e sem viés e o colegiado presidido por Ilan Goldfajn afirmou, em comunicado, que para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme esperado, e em razão do estágio do ciclo de flexibilização, vê, neste momento, como adequada uma nova redução moderada na magnitude de flexibilização monetária. O colegiado pondera, no entanto, que essa visão para a próxima reunião é mais suscetível a mudanças na evolução do cenário e seus riscos que nas reuniões anteriores. “Para frente, o Comitê entende que o atual estágio do ciclo recomenda cautela na condução da política monetária”, diz o comunicado.

O atual ciclo de corte de juros começou em outubro do ano passado, com a taxa básica partindo de 14,25%, patamar que era respeitado desde julho de 2015.

Em termos reais, o juro orbita a casa dos 2,9% ao ano, considerando o swap de juros de 360 dias de 7%, descontado do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) projetado em 12 meses de 3,96%. Tal patamar de juro real é o menor desde meados de 2013. A mínima histórica do juro real foi registrada em dezembro de 2012, a 1,39%, e a máxima em fevereiro de 2003, a 17,68%, em uma série iniciada em dezembro de 2002.

Quando o ciclo começou o juro real estava redor de 6,90%, reflexo de uma taxa de mercado de 12,3% e de uma projeção e inflação de 5%.

Desde 1999 o país adota o regime de metas para a inflação pelo qual o BC tem de perseguir um alvo para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estipulado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A ferramenta para fazer a inflação convergir para a meta é a Selic.

Agora em 2017 e 2018 a meta é de 4,5%, com uma banda de tolerância de 1,5 ponto percentual. Em 2019 a meta cai para 4,2% e em 2020 recua para 4% ao ano. Os analistas consultados pelo BC para a elaboração do Boletim Focus estimam inflação de 3,03% em 2017 e de 4,02% em 2018. 

Veja a íntegra do comunicado do Copom

O Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, para 7,00% a.a., sem viés.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

O conjunto dos indicadores de atividade econômica divulgados desde a última reunião do Copom mostra sinais compatíveis com a recuperação gradual da economia brasileira;

O cenário externo tem se mostrado favorável, na medida em que a atividade econômica global vem se recuperando sem pressionar em demasia as condições financeiras nas economias avançadas. Isso contribui para manter o apetite ao risco em relação a economias emergentes;

O Comitê julga que o cenário básico para a inflação tem evoluído, em boa medida, conforme o esperado. O comportamento da inflação permanece favorável, com diversas medidas de inflação subjacente em níveis confortáveis ou baixos, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária;

As expectativas de inflação para 2017 apuradas pela pesquisa Focus recuaram para em torno de 3,0%. As projeções para 2018, 2019 e 2020 mantiveram-se em torno de 4,0%, 4,25% e 4,0%, respectivamente; e

No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom situam-se em torno de 2,9% para 2017, 4,2% para 2018 e 4,2% para 2019. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2017 e 2018 em 7,0% e 2019 em 8,0%.

O Comitê ressalta que seu cenário básico para a inflação envolve fatores de risco em ambas as direções. Por um lado, a combinação de (i) possíveis efeitos secundários do choque favorável nos preços de alimentos e da inflação de bens industriais em níveis correntes baixos e da (ii) possível propagação, por mecanismos inerciais, do nível baixo de inflação pode produzir trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, (iii) uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. Esse risco se intensifica no caso de (iv) reversão do corrente cenário externo favorável para economias emergentes.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela redução da taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, para 7,00% a.a., sem viés. O Comitê entende que a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui os anos-calendário de 2018 e 2019, é compatível com o processo de flexibilização monetária.

O Copom entende que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

O Comitê enfatiza que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira contribui para a queda da sua taxa de juros estrutural. As estimativas dessa taxa serão continuamente reavaliadas pelo Comitê.

A evolução do cenário básico, em linha com o esperado, e o estágio do ciclo de flexibilização tornaram adequada a redução da taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual nesta reunião. Para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme esperado, e em razão do estágio do ciclo de flexibilização, o Comitê vê, neste momento, como adequada uma nova redução moderada na magnitude de flexibilização monetária. Essa visão para a próxima reunião é mais suscetível a mudanças na evolução do cenário e seus riscos que nas reuniões anteriores. Para frente, o Comitê entende que o atual estágio do ciclo recomenda cautela na condução da política monetária. O Copom ressalta que o processo de flexibilização monetária continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Ilan Goldfajn (Presidente), Carlos Viana de Carvalho, Isaac Sidney Menezes Ferreira, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Sérgio Neves de Souza, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa Marques e Tiago Couto Berriel.

Fonte Oficial: Valor.

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