Copom inicia reunião que pode levar juro para mínima histórica de 7% – Valor

BRASÍLIA  –  O Comitê de Política Monetária (Copom) começou às 14h30 a reunião que vai definir a Selic atualmente fixada em 7,5% ao ano. A decisão será apresentada depois das 18h20, após o término da reunião.

Pesquisa feita pelo Valor com 39 economistas mostrou 37 deles trabalhando com redução de meio ponto percentual, para 7% ao ano, o que marcaria nova mínima história nominal para a Selic. O menor patamar até então foi 7,25% visto em outubro de 2012.

O comunicado dessa decisão também deve ajudar o mercado a buscar algum consenso sobre a condução da política monetária em 2018, já que há grande dispersão de expectativas com o rumo do juro básico no próximo ano. Dos 39 economistas ouvidos pelo Valor, 19 trabalham com redução adicional, 13 acreditam em estabilidade e outros sete contam com uma elevação do juro básico.

Em termos reais, o juro orbita a casa dos 2,9% ao ano, considerando o swap de juros de 360 dias de 7%, descontado do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) projetado em 12 meses de 3,96%. Tal patamar de juro real é o menor desde meados de 2013. A mínima histórica do juro real foi registrada em dezembro de 2012, a 1,39%, e a máxima em fevereiro de 2003, a 17,68%, em uma série iniciada em dezembro de 2002.

Quando o atual ciclo de corte começou, em outubro do ano passado, o juro real estava redor de 6,90%, reflexo de uma taxa de mercado de 12,3% e de uma projeção e inflação de 5%. A Selic era de 14,25%.

De acordo com o próprio Copom, o quadro atual de expectativas ancoradas e elevado grau de ociosidade na economia prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

No Relatório de Inflação (RI) do terceiro trimestre, o BC apresentou uma pesquisa feita em abril para captar a avaliação do mercado sobre essa taxa estrutural. A mediana mostrou taxa de 5% no curto prazo, 4,5% em dois anos e 4% em cinco anos.

A autoridade monetária também já explicou que em algum momento a taxa precisará ser normalizada e isso pode acontecer por eventos que reduzam essa taxa neutra, por um aumento da Selic ou pela combinação dos dois fatores. Com o ciclo se aproximando do fim, essa discussão deve se intensificar, guardando relação com a agenda de reformas, que tende a reduzir o juro estrutural.

Na reunião de outubro, as projeções de inflação apresentadas pelo BC, considerando Selic de 7% no fim deste e do próximo ano e de 8% em 2019, apontam para IPCA de 3,3% para 2017, 4,3% para 2018 e 4,2% para 2019. A meta deste e do próximo ano é de 4,5%, com tolerância de 1,5 ponto. Para 2019 a meta cai a 4,25% e tem nova redução para 4% em 2020. No lado das expectativas, a última edição do Focus mostra IPCA de 3,03% neste ano e de 4,02% em 2018.

Ainda em dezembro, no dia 21, o BC atualiza e detalha suas projeções de inflação com a divulgação do Relatório de Inflação (RI) do quarto trimestre.

O BC também pode fazer uma atualização do seu balanço de risco, que até outubro envolvia, por um lado, a combinação de possíveis efeitos secundários do choque favorável nos preços de alimentos e da inflação de bens industriais em níveis correntes baixos e da possível propagação, por mecanismos inerciais, desse nível baixo de inflação. Por outro lado, uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira poderia afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. Risco que se intensifica no caso de reversão do cenário externo favorável para economias emergentes.

Na ata da reunião de outubro, os membros do colegiado avaliaram a extensão do ciclo e a conveniência de uma sinalização sobre os passos seguintes à reunião de dezembro, mas houve consenso em manter liberdade de ação e adiar qualquer sinalização sobre as decisões futuras de forma a incorporar novas informações sobre a evolução do cenário básico e do balanço de riscos.

O Copom também voltou a reforçar a importância das reformas, notadamente as de natureza fiscal, e dos ajustes na economia para a sustentabilidade do ambiente com inflação baixa e estável, para o funcionamento pleno da política monetária e para a redução da taxa de juros estrutural da economia.

Fonte Oficial: Valor.

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