Poupança volta a registrar captação líquida em novembro – Valor

BRASÍLIA  –  A caderneta de poupança voltou a registrar captação líquida em novembro, depois de um fluxo negativo em outubro. De acordo com o Banco Central (BC), os ingressos líquidos somaram R$ 3,918 bilhões em novembro, após saída de R$ 2,007 bilhões em outubro.

No ano, os saques ainda superaram os depósitos em R$ 2,246 bilhões, ante R$ 51,370 bilhões em igual período do ano passado. Em novembro de 2016, os depósitos superaram os saques em R$ 1,881 bilhão. Em 12 meses até novembro, o saque líquido soma R$ 2,544 bilhões, ante R$ 6,385 bilhões nos 12 meses até outubro.

O resultado de novembro foi construído no último dia útil do mês, que mostrou captação de R$ 6,224 bilhões, pois até o dia 29 as saídas líquidas somavam R$ 2,306 bilhões. O último dia de novembro foi a data-limite para o pagamento da primeira parcela do 13º salário.

Em 2016, a poupança encerrou com saque de R$ 40,701 bilhões, vindo de uma perda líquida de R$ 53,567 bilhões em 2015. Em 2014, a poupança tinha registrado captação de R$ 24,034 bilhões, após o recorde de R$ 71,047 bilhões de 2013.

Os dados de novembro confirmam tendência de recuperação na captação da caderneta. Apesar do desemprego ainda elevado, a queda da inflação tem promovido uma elevação da renda real do trabalhador. Outro fator que influencia a caderneta é a queda da Selic, que está em 7,5% ao ano e deve recuar mais, deixando alguns investimentos em renda fixa – a depender de taxas cobradas e tributação – menos atrativos que o rendimento oferecido pela caderneta, que conta com isenção de Imposto de Renda. Nesta quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) pode cortar a Selic a 7% ao ano, segundo o consenso de mercado.

Os números do BC também captam alguma influência da liberação das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O programa entregou aos trabalhadores cerca de R$ 44 bilhões das contas inativas entre março e outubro. Também foram distribuídos outros R$ 7 bilhões, equivalente à metade do lucro do FGTS em 2016.

A captação líquida do mês se soma ao rendimento creditado de R$ 3,139 bilhões, elevando o patrimônio total da poupança de R$ 695,216 bilhões em outubro para R$ 702,274 bilhões no mês passado, novo recorde da série iniciada em 1995.

Com isso, a poupança passa a registrar aumento de patrimônio de R$ 45,684 bilhões em 2017. Em 2016, o patrimônio aumentou em R$ 8,4 bilhões, após ter caído R$ 6,137 bilhões em 2015.

Em novembro, os bancos que aplicam recursos da caderneta em crédito imobiliário mostraram captação líquida de R$ 3,762 bilhões (SBPE). E as instituições que destinam os recursos para o crédito rural registram entrada líquida de R$ 156 milhões (SBPR).

A poupança é o principal instrumento para o financiamento do crédito imobiliário. Desde 2015, o BC e governo tomaram medidas para assegurar recursos ao segmento, como alteração nas regras de depósitos compulsórios e uso do FGTS para compra de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI). A última ação nesse sentido foi tomada no fim de agosto, com a regulamentação a Letra Imobiliária Garantida (LIG), algo que estava pendente desde 2015.

Fonte Oficial: Valor.

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