À espera da reforma, dólar recua com realização de ganhos e bom humor externo – Jornal do Comércio

Uma realização de lucros ampara a queda do dólar ante o real e outras divisas emergentes e ligadas a commodities na manhã desta sexta-feira (8). Isso ocorre na esteira do bom humor externo e com as pretensões do governo de tentar iniciar a votação da reforma da Previdência em 18 de dezembro, disse o gerente de mesa de derivativos de uma gestora de recursos.

A queda dos juros futuros também é monitorada pelos agentes de câmbio, na esteira do IPCA de novembro, que subiu 0,28%, após alta de 0,42% em outubro, e ficou abaixo do piso das estimativas, que iam de 0,30% e 0,50%, com mediana positiva de 0,35%.

O mesmo gerente da gestora de recursos, que não quer ser identificado, questiona as negociações do governo com parlamentares. “Se Temer está comprando votos a favor reforma da Previdência, e já gastou recentemente pelo menos R$ 43,2 bilhões, por que não deposita esse dinheiro na conta da Previdência para reduzir o déficit? Por que tem que gastar com políticos em vez de investir para reduzir rombo da Previdência?” O governo Temer calcula que o déficit da Previdência alcançará R$ 270 bilhões neste ano.

O governo corre o risco de pagar a fatura da aprovação da reforma da Previdência antes mesmo de conseguir os 308 votos. O sinal amarelo acendeu na área econômica depois que o presidente do Congresso Nacional, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), convocou sessão para a próxima terça-feira (12) com o objetivo de votar o Orçamento de 2018.

O movimento de Eunício, que dá sinais dúbios em relação a seu apoio à aprovação da reforma ainda este ano, pode provocar a debandada dos parlamentares e esvaziar o Congresso antes do novo prazo final para a votação da mudança na Previdência, de 19 de dezembro.

Antes da sessão do Congresso, Eunício presidirá pela manhã de 12 de dezembro sessão extraordinária do Senado para garantir aprovação de uma série de projetos que foram negociados como barganha pela reforma, entre eles renegociações de débitos tributários e a compensação de R$ 1,9 bilhão a Estados e municípios por conta de desonerações de ICMS nas exportações.

A avaliação é de que o presidente Michel Temer acabou abrindo os cofres antes da hora, colocando o ajuste fiscal em altíssimo risco. Mesmo com todas as concessões, o ceticismo aumentou entre integrantes da equipe econômica sobre a capacidade de aprovação neste ano, pois os votos não chegam ao mínimo necessário.

Às 9h40min desta sexta, o dólar à vista recuava 0,50%, aos R$ 3,2723. O dólar futuro de janeiro caía 0,59%, aos R$ 3,280. Lá fora, o Dollar Index (variação do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes) subia 0,24%, mas a moeda americana recuava ante a rupia indiana (-0,15%), o peso mexicano (-0,01%), o dólar neozelandês (-0,12%), a lira turca (-0,22%) e o rand sul africano (-0,66%).

A alta do petróleo ajuda a enfraquecer as divisas emergentes. O barril do WTI para janeiro de 2018 subia 0,56%, a US$ 5725, enquanto o barril do tipo Brent para fevereiro ganhava 0,58%, a US$ 62,78.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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