Mercosul se queixa de proposta da UE sobre acordo – Exame

Acordo de livre-comércio entre os blocos para as áreas de carne e etanol tem ganhado cada vez mais descrença dos membros sul-americanos e europeus

Por Fernando Nakagawa, do Estadão Conteúdo

access_time 12 dez 2017, 08h42

Buenos Aires – A “falta de equilíbrio” da proposta europeia é a razão para a mudança de tom e a frustração das autoridades sul-americanas sobre a perspectiva de assinatura do pré-acordo para criação de uma área de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia.

Sul-americanos, porém, também têm um tema bastante sensível: o prazo para abertura do mercado para industrializados da Europa.

Fonte que acompanha as negociações do lado sul-americano disse ao Estadão/Broadcast que as reuniões para a criação da área de livre comércio esbarraram na falta de movimento dos europeus, que não trouxeram novos números para a mesa na Argentina.

A prometida proposta melhorada para carne e etanol ainda pode, em tese, ser apresentada em Buenos Aires, mas negociadores praticamente já descartam a hipótese.

Outro ponto de discórdia é o chamado “grau de cobertura e liberação do mercado” sul-americano para as mercadorias europeias.

Isso acontece porque os blocos comerciais têm a possibilidade de proteger uma parcela da economia contra o livre comércio.

Ou seja, manter tarifas de importação para evitar a concorrência de produtos estrangeiros em setores considerados mais sensíveis.

Bruxelas insiste que 90% do fluxo de comércio entre o Mercosul e União Europeia tenha tarifa zero. Nas últimas semanas, o bloco sul-americano elevou a proposta aos europeus e aumentou o alcance do livre comércio de 87% para 89% do fluxo entre os dois blocos, mas Bruxelas acha pouco.

O Mercosul já mapeou alguns produtos que poderiam ser incluídos para alcançar os 90%, mas há resistência dos países – como a Argentina que é contra incluir o azeite de oliva no acordo, já que o país é grande produtor.

Outro ponto de discórdia é o período para que os produtos passem a ter tarifa zero. A Europa quer o prazo mais rápido possível, mas os sul-americanos tentam alongar o calendário para dar mais tempo às suas indústrias para se preparar para a concorrência com produtos alemães, franceses ou italianos que passariam a entrar com tarifa zero de importação no Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Na média, a Europa pede prazo limite de 10 anos para chegar à tarifa zero, mas o Mercosul pede 15 anos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte Oficial: Exame.

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