Crise na articulação da Previdência tem efeito limitado no CDS do país – Valor

SÃO PAULO  –  A crise da articulação política em torno da reforma da Previdência não se traduziu numa disparada do risco-país, pelo menos até o momento. Em contraste com a forte queda do Ibovespa, o custo do Credit Default Swap (CDS) de cinco anos do Brasil fechou em baixa na sessão de quarta-feira e mostra alta comportada na manhã desta quinta-feira.

Antes da abertura dos negócios brasileiros, a taxa girava em 166 pontos-base, ante 165 pontos um dia antes e 167 pontos no fim da tarde de terça-feira, de acordo com dados da Markit. Nesses três níveis, o custo do CDS de cinco anos do Brasil manteve a diferença de pouco mais de 60 pontos em relação ao indicador do México. Esse comportamento sinaliza que, a despeito da conturbada cena política no Brasil, o movimento do risco país segue alinhado ao exterior.

O principal catalisador dos negócios ontem foi a percepção sobre o cenário econômico americano. O Federal Reserve (Fed, banco central americano) elevou juros, como esperado, mas ainda trouxe um tom mais favorável a taxas baixas ao demonstrar preocupação com a inflação contida no país.

No Brasil, o nervosismo tomou o mercado brasileiro, principalmente a Bolsa, no fim da tarde após o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB), afirmar que a votação da reforma da Previdência teria sido adiada para fevereiro de 2018. A desconfiança sobre o avanço da medida neste ano já era observada entre os agentes financeiros, o que limitou o impacto da fala. Os contratos futuros de dólar e juros, por exemplo, fecharam na quarta-feira perto da estabilidade depois de subirem às máximas.

A fala de Jucá foi desmentida ainda ontem. O discurso de outros representantes do governo é de que a avaliação sobre a data de votação deve ser feita hoje e, em paralelo, continuam os esforços para angariar apoio político. De qualquer maneira, ficou mais claro que a administração de Michel Temer enfrenta dificuldades para conseguir os votos necessários para aprovar a reforma.

Entre outras medidas de risco nesta manhã, a inclinação da curva de juros opera estável. A diferença do DI janeiro de 2023 e o DI janeiro de 2019 marca 3,28 pontos percentuais, mesmo nível do fechamento de ontem. Na terça-feira, havia fechado em 3,27 pontos.

Por volta das 9h15, a moeda americana e os juros futuros subiam no mercado brasileiro, mas de maneira moderada. O dólar comercial avançava 0,19%, a R$ 3,3165. O contrato futuro para janeiro, por sua vez, ganhava 0,26%, a R$ 3,3235.

Nos juros futuros, o DI janeiro/2021 operava a 9,310%, ante 9,260% no ajuste anterior.

Fonte Oficial: Valor.

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