Exportações gaúchas crescem 6% entre janeiro e novembro – Jornal do Comércio

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Notícia da edição impressa de 14/12/2017.
Alterada em 13/12 às 22h05min

Exportações gaúchas crescem 6% entre janeiro e novembro

Segmento de veículos, reboques e carrocerias foram determinantes para o resultado do setor industrial

/PORTO DO RIO GRANDE/DIVULGAÇÃO/JC

As exportações do Rio Grande do Sul registraram crescimento de 6% no acumulado de janeiro a novembro de 2017, em comparação ao mesmo período do ano passado. Alcançaram US$ 16,25 bilhões, sendo a indústria responsável por US$ 11,4 bilhões deste total, o que representa US$ 153 milhões a mais nesses 11 meses, incremento de 1,4% em relação a 2016.

“O resultado deste ano ainda é tímido e apenas devolve uma pequena parte das perdas que ocorrem para os exportadores desde 2012. O crescimento mais robusto das exportações dependerá de uma melhora expressiva na competitividade da economia brasileira”, destaca o presidente da Fiergs, Gilberto Petry, acrescentando que a expectativa dos empresários é pela manutenção do aumento da demanda externa nos próximos seis meses.

Os melhores resultados do setor industrial vieram de veículos automotores, reboques e carrocerias (44,4%); químicos (15,2%); e produtos de metal (22,2%). O destaque no período foram os embarques para a Argentina, que cresceram

US$ 530 milhões, especialmente por conta da compra de veículos automotores (79,7%). Por sua vez, outros equipamentos de transporte (-95,1%); celulose e papel (-27,3%); e máquinas e equipamentos (-7,9%) registraram as maiores perdas.

Na comparação de novembro de 2017 com o mesmo mês do ano passado, as exportações da indústria gaúcha recuaram 26,6%, alcançando US$ 1,1 bilhão. A forte queda se deu pela contabilização, em novembro de 2016, da venda de uma plataforma de petróleo e gás no valor de US$ 388,9 milhões.

Fato que não se repetiu em 2017, gerando, desse modo, um efeito estatístico desfavorável. Porém, mesmo se essa operação fosse desconsiderada, ainda assim, o setor encerraria o mês com perdas de 1%.

Das outras 23 categorias industriais que registraram vendas para o exterior em novembro, 11 apresentaram alta, oito caíram e quatro mantiveram-se estáveis, com destaque positivo para tabaco (10,6%); e veículos automotores, reboques e carrocerias (18,3%). Já as principais influências negativas vieram de outros equipamentos de transporte (-99,5%); celulose e papel (-71,4%); e madeira (-79,2%).

Impactadas pelo resultado da indústria, as exportações totais do Rio Grande do Sul também retraíram na comparação mensal: somaram US$ 1,43 bilhão em novembro, uma perda de 11,2% se considerado o mesmo período de 2016. A análise desagregada, porém, mostra que o grupo dos produtos básicos quebrou o recorde da série histórica para o mês ao embarcar US$ 315 milhões, ou seja, alta de 224,7% nessa base de comparação. Esse movimento se deveu à elevação de 246,1% das vendas externas de soja para a China.

As importações totais também caíram no mês. As compras externas totalizaram

US$ 840 milhões, uma redução de 3,6%, determinada, especialmente, pela queda de 18,5% em bens intermediários em função da diminuição de 40,2% nas compras de adubos, fertilizantes e defensivos. Os demais agrupamentos – combustíveis e lubrificantes (82%), bens de consumo (27,4%) e bens de capital (9,2%) – cresceram.

 

Soja puxa embarques do agronegócio do Estado

Em novembro, as exportações do agronegócio do Rio Grande do Sul somaram
US$ 902,4 milhões, registrando aumento no valor (21,2%) e no volume (24,8%) em relação ao mesmo mês do ano passado. Nos preços médios praticados, houve redução de 2,9%. O volume de soja em grão exportado pelo Estado foi o maior para o mês de novembro desde o início da série histórica em 2007. Os dados foram divulgados pela Fundação de Economia e Estatística (FEE).

Os cinco principais setores exportadores do agronegócio em novembro foram complexo soja (US$ 332,6 milhões); fumo e seus produtos (US$ 225,6 milhões); carnes (US$ 175,5 milhões); couros e peleteria (US$ 28 milhões); e cereais, farinhas e preparações (US$ 26,3 milhões). Soja, fumo, e cereais, farinhas e preparações foram os três setores que mais influenciaram o crescimento das vendas no mês. O economista da FEE Sérgio Leusin Jr. avalia que o aumento nas exportações do complexo soja é explicado, principalmente, pelo maior volume embarcado de soja em grão, que atingiu 746,4 mil toneladas em novembro, quantidade 268,6% maior que a registrada em 2016. “Analisando a série histórica iniciada em 2007, observa-se que esse foi o maior volume de soja em grão exportado pelo Rio Grande do Sul no mês de novembro”, pontua.

Produtos florestais foi o setor do agronegócio gaúcho que registrou maior queda no valor exportado em novembro. O decréscimo foi de US$ 58,4 milhões (-75,5% em valor e -89,3% em volume), especialmente devido à menor exportação de celulose. Para Leusin, isso se deve à retomada, ainda de forma gradual, da produção na fábrica da Celulose Riograndense durante o mês de novembro, após problemas técnicos. “A capacidade de produção plena somente deve ser alcançada no início de 2018”, explica. O segundo maior declínio nas exportações do agronegócio verificou-se no setor de máquinas e implementos agrícolas (menos US$ 11,3 milhões, -49,5%).

Em novembro, os principais destinos das exportações do agronegócio gaúcho foram China, União Europeia, Rússia, Estados Unidos e Argentina. Esses destinos concentraram 68,7% do valor das vendas externas. Em relação a novembro de 2016, a China foi responsável pelo maior incremento absoluto em valor (mais US$ 163,5 milhões, 66,9%), seguida da União Europeia (mais US$ 24,9 milhões, 23,2%), do Iraque (mais US$ 9,8 milhões, 421,37%) e da Argélia (mais
US$ 8,1 milhões, 3.013,2%).

“O destaque para a China é explicado pelo aumento das vendas da soja em grão. O aumento nos embarques destinados à União Europeia deu-se, principalmente, nos setores do complexo soja (farelo) e de fumo não manufaturado. Para o Iraque, houve crescimento substancial da comercialização de carne de frango, enquanto, para a Argélia, pode-se frisar as exportações de óleo de soja”, exemplifica o técnico.

CNI espera que as negociações Mercosul-UE sejam logo concluídas

A despeito da indicação dos negociadores de que o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia (UE) não sairá ainda neste ano, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que houve avanço nas negociações e espera que as tratativas sejam concluídas o mais rápido possível.

Em nota, a entidade diz que o esforço final para a formalização do acordo cabe aos europeus, principalmente em eventual concessão na abertura do mercado agrícola e algumas demandas industriais, como o regime tributário diferenciado para a exportação – o chamado “drawback”.

“A indústria brasileira espera ver o acordo implementado o mais rapidamente possível, pois esta ação permitirá ao Brasil entrar na liga das grandes economias do comércio internacional”, cita nota da entidade que acompanha as reuniões entre os blocos na Argentina e também participa dos debates na reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) realizada na capital argentina.

Para a CNI, o principal chamariz do acordo entre Mercosul e UE é o acesso a novos mercados para os bens produzidos no Brasil. Segundo a entidade, os atuais acordos de comércio assinados dão aos produtos brasileiros acesso livre a 8% do comércio do mundo. Com o esperado acordo com os europeus, o acesso alcançaria 25% do mercado global.

“A UE sabe que precisa fazer mais para chegarmos a um acordo nas próximas semanas. Estamos contando com a liderança da comissária europeia do Comércio, Cecilia Malmström, para se concluir essa negociação com sucesso”, disse em nota o diretor de desenvolvimento industrial da CNI, Carlos Abijaodi.


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Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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