IGP-10 encerra 2017 com menor taxa em oito anos, aponta FGV – Valor

RIO  –  O Índice Geral de Preços -10 (IGP-10) encerrou 2017 com a menor taxa anual em oito anos. Com recuo de 0,42% anunciado hoje pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o resultado foi o menor desde 2009 (-1,68%) e a segunda taxa negativa da história do indicador, criado em 1993, informou o superintendente-adjunto de inflação da fundação, Salomão Quadros.

Em 2016, o IGP-10 tinha subido 6,95%. “Ano passado foi o ano da inflação dos alimentos. Este ano tivemos ‘supersafra’ de grãos e, por isso, tivemos deflação”, resumiu Quadros, lembrando que a maior oferta de produtos agropecuários reduziu preços no atacado e no varejo ao longo do calendário.

Para o especialista, os preços dos alimentos podem voltar a subir no começo de 2018 devido a fatores climáticos sazonais, mas “sem grandes atropelos”.

O IGP-10 é o primeiro indicador de inflação calculado pela FGV a fechar o ano. Ao comentar sobre a evolução no período, Quadros comenta que a aceleração de 0,24% para 0,90% entre novembro e dezembro foi concentrada em poucos itens e impulsionada principalmente por minério de ferro mais caro no atacado.

A variação de preço da commodity, que representa quase 5% do total da inflação atacadista passou de queda de 11,71% para aumento 2,96% entre novembro e dezembro, devido à recuperação de preços no exterior. Isso levou a uma disparada no Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), com peso de 60% nos Índices Gerais de Preços (IGPs) da fundação e aceleração de 0,21% para 1,22% no mesmo período. “O IPA acelerou 1,01 ponto percentual. O minério foi responsável por 0,78 ponto percentual dessa aceleração, quase 80%. Um impacto considerável”, afirmou ele.

Somente os alimentos in natura, cujos preços foram muitas vezes responsáveis por choques na inflação dos alimentos devido ao comportamento mais errático e por estarem mais suscetíveis a problemas climáticos, tiveram queda de 17,26% em 2017 — sendo que encerraram 2016 com inflação de 14,79%.

Isso levou os preços do atacado como um todo a uma taxa negativa de 2,40% em 2017. Um ano antes, os preços no atacado encerraram com aumento de 7,30%.

O cenário de alimentos mais baratos ao longo do ano também foi fundamental para conter o impacto na inflação do atacado da arrancada nos preços dos combustíveis em meados deste ano. Quadros lembrou que, com a aceleração do preço do petróleo no exterior a partir do segundo semestre, os derivados no país começaram a subir de forma expressiva, principalmente agora em um momento que a Petrobras realiza ajustes mais frequentes nas refinarias, levando em conta a cotação do petróleo no cenário internacional.

Isso fez com que os combustíveis para produção finalizassem 2017 com inflação de 16,57%. Em 2016, tiveram queda de 10,36%. Houve mudanças expressivas nas trajetórias de preços, nas taxas anuais de inflação entre 2016 e 2017, de óleo diesel (-11,44% para 14,98%); óleos combustíveis (de -7,79% para 46,10%); gasolina (de -4,93% para 7,98%) e GLP (de 2,82% para 46,10%).

No varejo, também foi expressiva a influência de agropecuários mais baratos na diminuição da taxa de inflação anual percebida junto ao consumidor. Entre 2016 e 2017, a inflação apurada pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) passou de 6,44% para 3,24%. Entre as sete classes de despesa usadas para cálculo do IPC, a única a enc

Para o ano que vem, o especialista comenta que, até o momento, não há sinais de possíveis choques de preços que possam conduzir a algum sinal de alerta. “Creio que o que temos cenário bastante favorável de inflação. É claro pode haver aumento de custo na movimentação de mercadorias, com combustíveis mais caros, e pode ser que haja repasse [de alta do diesel] em tarifa de ônibus, mesmo em ano de eleição. Tem uma pressão de custos que vai aparecer”, admitiu. “Mas são alguns pontos que não colocam em risco meta inflacionária e que chegam a ‘conta-gotas’ no bolso do consumidor”, disse.

Fonte Oficial: Valor.

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