Votação da nova Previdência fica para 2019, avalia mercado – Valor

SÃO PAULO  –  O anúncio do senador Romero Jucá (PMDB-RR), nesta quarta-feira, de que o governo jogou a toalha e adiou a votação da reforma da Previdência para fevereiro fez o mercado jogar para 2019 a perspectiva de que algo efetivamente saia do papel. A leitura é que, mesmo que o Planalto fixe uma data para tranquilizar o mercado em 2018, o peso do ano eleitoral praticamente inviabiliza a aprovação de qualquer proposta.

A notícia fez a Bolsa brasileira recuar 1,22% nesta quarta (13), a 72.914 pontos. O mercado cambial, que fecha mais cedo, não capturou a maior aversão a risco. O dólar comercial teve queda de 0,36%, para R$ 3,317. O dólar à vista se desvalorizou 0,49%, para R$ 3,314.

As dificuldades que o governo enfrenta em obter votos suficientes para passar o texto já fazem especialistas retirarem a aprovação da reforma de seu quadro-base para a economia em 2018.

“Nosso cenário para 2018 não inclui a aprovação da reforma da Previdência, mas ela terá que ser aprovada em 2019”, afirma José Carlos de Faria, economista-chefe do Deutsche Bank.

“A gente parte da hipótese de que o próximo governo vai ter que atacar a questão fiscal, senão você tem um cenário que é explosivo, não é um cenário de estabilidade. Então a gente parte do pressuposto que, depois da eleição, você abre caminho para aprovar a reforma da Previdência. Se ela for aprovada agora, melhor, mas não é nosso cenário-base”, diz.

Avaliação semelhante tem André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos. “Deixar para fevereiro é deixar para 2019. É reconhecer que não dá para fazer reforma. Os trâmites são demorados, a votação pode acontecer perto de maio, quase na eleição”, diz.

“Sem a reforma, você não contamina as campanhas políticas e ninguém fica com estigma de que votou a Previdência em ano eleitoral.”

A expectativa é que o mercado reaja com menos intensidade a notícias envolvendo a reforma, afirma Ignacio Crespo, economista da Guide Investimentos. “Fixar uma data cada vez influencia menos no preço, e o mercado vai continuar cada vez mais cético”, diz. “Não descartamos a aprovação, mas não estamos considerando isso no nosso cenário-base. Só em 2019 mesmo.”

Fonte Oficial: Valor.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!