Disney compra parte da Fox por US$ 52,4 bilhões – Jornal do Comércio

A Disney acertou a compra de parte da 21st Century Fox, de Rupert Murdoch, por US$ 52,4 bilhões. Com o movimento, a empresa busca aumentar sua escala na competição crescente com a Netflix e a Amazon.

Segundo os termos do acordo, a Disney adquire ativos significativos da Fox, incluindo os estúdios que produzem blockbusters, como os filmes de super-heróis da Marvel e a franquia Avatar, assim como séries televisivas, como Os Simpsons.

Os acionistas da Fox receberão 0,2745 ações da Disney por cada ação que possuem, o que equivale a US$ 29,50 por ação pelos ativos que a Disney está comprando, segundo cálculos feitos pela Reuters. A Disney também assume cerca de US$ 13,7 bilhões de dívida da Fox no negócio. Antes da aquisição se efetivar, a Fox vai separar sua rede de canais televisivos e estações da Fox

Broadcasting, Fox News Channel, Fox Business Network, FS1, FS2 e Big Ten Network em uma nova empresa de capital aberto.

O acordo encerra mais de meio século de expansão do império de Murdoch, 86 anos, que transformou um jornal australiano que ele herdou de seu pai aos 21 anos em um dos maiores e mais importantes conglomerados de notícias e filmes. O presidente da Disney, Bob Iger, 66, vai estender seu mandato até o final de 2021 para supervisionar a integração das companhias.

Iger já adiou sua aposentadoria da Disney três vezes – em março, ele havia declarado que estava comprometido em deixar a empresa em julho de 2019. “Isso nos dará a habilidade de casar o ótimo conteúdo da Fox com o ótimo conteúdo da Disney. Isso nos dá uma pegada internacional muito maior e nos permite usar tecnologia de ponta para alcançar consumidores de forma muito mais atraente”, disse Iger em entrevista ao canal de televisão norte-americano ABC.

Iger também afirmou que novas tecnologias seriam necessárias para atender à demanda de telespectadores que querem acessar conteúdo a qualquer momento. Serviços diretos para o consumidor são a prioridade número um da empresa, acrescentou.

O negócio deve mudar a cara de Hollywood e do setor mundial de mídia, que está passando por uma rápida digitalização. Dominante nos últimos anos com seus megablockbusters, como as ficções da franquia Star Wars, as animações da Pixar ou, agora, as adaptações “live action” das animações, a Disney aumenta ainda mais seus tentáculos na indústria de cinema.

Ao adquirir a Fox, a Disney abocanha marcas como Planeta dos Macacos, sucesso na virada dos anos 1960/1970, ressuscitado pelo estúdio, primeiro com um longa de Tim Burton, em 2001, depois, com três títulos nos últimos seis anos – o mais recente estreou neste ano e teve arrecadação modesta nos Estados Unidos, mas se saiu melhor no mercado internacional.

Se a fusão já valesse, os dois estúdios combinados teriam 39,2% das bilheterias. Ou seja, a cada 10 bilhetes comprados nos cinemas, quatro seriam de um filme da dupla.

The Wall Disney Company: 3º trimestre fiscal de 2017

Faturamento: US$ 12,8 bilhões

Lucro: US$ 1,7 bilhões

Marcas/empresas: Walt Disney Pictures, Lucas Film, Marvel, Magic Kingdom, Epcot

Twenty-First Century Fox: 1º trimestre fiscal de 2018

Faturamento: US$ 7 bilhões

Lucro: US$ 904 milhões

Marcas/empresas: 20th Century Fox, Fox News, Fox Sports, FX, Sky europeia (39%)

Mais uma vez, a bola de cristal de Os Simpsons funcionou. No quinto episódio da 10ª temporada da série, exibido em 1998, os produtores “previram” a compra da Fox pela Disney – o que aconteceu nesta quinta-feira, em um negócio de US$ 52,4 bilhões (cerca de R$ 174 bilhões).

Na animação, é possível ver um cartaz na entrada do estúdio 20th Century Fox onde está escrito “uma divisão da Walt Disney Co.”. Com o recente negócio fechado, a Disney também passa a ser dona de heróis como X-Men e Deadpool, além dos próprios Simpsons.

O episódio é intitulado “When You Dish Upon a Star”, um trocadilho com a canção mais famosa da Disney, “When You Wish Upon a Star” (“quando você faz um desejo a uma estrela”, em tradução livre). Os fãs foram os primeiros a lembrar da imagem.

Não foram poucas as vezes, nas suas 29 temporadas, que a série brincou de “futurologia” e acertou. Um episódio de 2010 previu o vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2016.

A previsão mais conhecida é a da eleição de Donald Trump, atual presidente dos EUA, eleito em 2016. O episódio foi ao ar em 2000. Em março de 2014, um desenho mostrou o Brasil perdendo para a Alemanha na final da Copa do Mundo daquele ano. O jogo só aconteceria em julho.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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