Mundial dá alcance aos patrocinadores do Grêmio – Jornal do Comércio

Marketing


Notícia da edição impressa de 18/12/2017.
Alterada em 17/12 às 22h32min

Mundial dá alcance aos patrocinadores do Grêmio

Camisetas dos jogadores levavam o nome do Banrisul estampado

/KARIM SAHIB/AFP/JC

Paulo Egídio

O sonho de qualquer marca é ter os olhos do mundo voltados para si. E os patrocinadores de Grêmio e Real Madrid tiveram esse privilégio por pelo menos 90 minutos durante a decisão do Mundial de Clubes, no sábado, em Abu Dhabi. No caso do tricolor gaúcho, apesar da derrota por 1×0 para o time espanhol, a final foi uma oportunidade de internacionalizar o alcance do próprio clube, normalmente restrito a um público nacional.

Especialista em gestão esportiva e responsável pela área de esportes da consultoria BDO, o economista Pedro Daniel classifica a participação gremista na final do torneio intercontinental como uma “plataforma de exposição” aos parceiros comerciais. “O principal objetivo das marcas é ampliar sua atuação e reconhecimento, e a presença do Grêmio no Mundial potencializa esse retorno”, diz o consultor.

E esse ganho é comemorado pelas empresas parceiras do Tricolor. Patrocinador master do clube, o Banrisul investe na dupla Grenal desde 2000 – estampava a camisa do Inter na conquista do Mundial de 2006. “A expectativa é sempre divulgar o banco através do nosso parceiro, e estamos vendo nosso investimento ter retorno”, comemora o presidente da instituição financeira, Luiz Gonzaga Mota.

O logo do banco é o único a ser exposto na camisa do clube durante o Mundial já que, pelas regras da Fifa, apenas o principal patrocinador pode aparecer na vestimenta. Conforme Gonzaga Mota, apesar do time gaúcho ter conquistado o título, a expectativa do Banrisul foi atingida. “Nosso objetivo foi alcançado: estivemos no pódio, com nossa marca, através do Grêmio”, destaca.

Mesmo sem estar presentes no manto tricolor, outros parceiros também celebram a chegada do clube na final. A rede de hotéis Laghetto e a loja de informática iPlace passaram a integrar o rol de patrocinadores do Grêmio e do Internacional apenas no segundo semestre deste ano, mas já se beneficiam da ligação com o Tricolor. “Mesmo não aparecendo, o fato de ser ligada ao clube confere a associação imediata à marca”, explica Pedro Daniel.

O gestor de Marketing da Laghetto, Luis Paulo Yamaguchi, diz que a empresa já estava ciente da restrição e lamenta não ter a logomarca na vestimenta do Grêmio. Mesmo assim, diz que é um “privilégio estar alinhado a um time campeão e que tem jogado muito bem”.

Já o diretor da iPlace, Matheus Mundstock, diz que a empresa não encara como uma perda a ausência no Mundial. “Não acreditamos na perda porque nosso objetivo nunca passou por isso. Sobre o que era gerenciável, nosso alcance foi extraordinário”, explica Mundstock, salientando que o projeto de reconhecimento da empresa em sintonia com o esporte tem dado resultado. “Estamos felizes e orgulhosos de fazer parte desse momento do Grêmio”, conclui.

Times devem aproveitar oportunidade global, diz consultor

Somoggi destaca uso da internet

Somoggi destaca uso da internet

/ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC

Além de potencializar a exposição dos patrocinadores, a final do Mundial também gera ganhos financeiros. A receita com premiações e ganhos indiretos pela participação no torneio intercontinental é estimada em
R$ 20 milhões pelo consultor em marketing e gestão esportiva Amir Somoggi, que vê a decisão como oportunidade para valorizar a assinatura do clube. “O impacto maior não é o financeiro, mas de exposição de marca. Para que ela se faça conhecida globalmente, depende mais do marketing do que necessariamente do desempenho em campo”, afirma Somoggi.

De acordo com o consultor, o clube deveria aproveitar o momento para investir em comunicação visando o mercado global. “Enquanto Grêmio e Inter estão preocupados em como se relacionar com o torcedor de Santa Maria, teriam que pensar em como conquistar torcedores na Tailândia, Estados Unidos e China”, recomenda.

Somoggi destaca que o caminho para a ampliação dos ganhos com marketing vai além da exposição dos patrocinadores nas camisetas. “Na Europa, os clubes possuem vários patrocinadores que não estão na camisa, mas recebem outras entregas comerciais, como a ação dos próprios jogadores nas campanhas, ações comerciais em dias de jogos e atividades com os sócios”, exemplifica.

Por fim, o especialista em gestão esportiva cita a principal ferramenta que os clubes brasileiros devem fazer uso na tentativa de ganhar espaço no mercado internacional: as mídias sociais. “A rede social é fundamental, pois é barata e tem a globalização a seus pés”, resume Somoggi, que prevê bons frutos para o clube brasileiro que apostar no consumo globalizado do esporte. “Os times que souberem se apropriar do Brasil no exterior podem se tornar marcas globais.”

Equipe gaúcha busca atrair atenção internacional para a sua marca

O diretor de Marketing do Grêmio, Beto Carvalho, salienta que “os olhos do mundo” estavam voltados para a partida. “Participar de grandes competições e fechar o ano jogando a final posiciona o Grêmio como uma das marcas referenciais no cenário do futebol mundial”, sentencia Carvalho.

Conforme o diretor, o departamento tricolor, que levou o prêmio Top de Marketing da ADVB de 2017 na categoria Esportes, já trabalha em ações do mercado global, em especial na China, onde há uma escolinha de futebol do clube. O responsável pelo marketing gremista admite que a presença de mercado do Grêmio é sólida em nível regional, mas cita parceiros nacionais, como a iPlace, e internacionais, como a Uber, como exemplos da ampliação da busca por novos apoiadores.


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Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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